Mundial2026. Didier Deschamps vai sentir saudades de orientar França

Mundial2026. Didier Deschamps vai sentir saudades de orientar França


“Sei muito bem que é o fim. Ninguém vai chorar, mas sei que vou ter saudades da seleção. Tive o privilégio de viver momentos mágicos e outros mais difíceis por 25 anos [11 como jogador]. Representar a França foi o melhor que me aconteceu e isso deixa uma marca ainda maior, pois ficam lembranças inesquecíveis, mas sou uma pessoa positiva por natureza e o importante é o que se segue”, disse o técnico, em conferência de imprensa.

Deschamps, de 57 anos, rendeu Laurent Blanc em 2012 e levou a França à conquista do título mundial pela segunda vez há oito anos, com uma vitória sobre a Croácia (4-2), na Rússia, reeditando o êxito atingido como capitão em 1998, perante o Brasil (3-0), em Saint-Denis, nos arredores de Paris.

Nesse período, os ‘bleus’ também arrebataram a Liga das Nações de 2021 frente à Espanha (2-1), em Itália, mas perderam as finais do Euro2016, como anfitriões e diante de Portugal (1-0, após prolongamento), com um golo do suplente Eder, e do Mundial2022, no desempate por penáltis com a Argentina (4-2, depois da igualdade 3-3 no fim dos 120 minutos), no Qatar.

A França poderia ter chegado pela quinta vez, e terceira seguida, ao duelo decisivo da principal competição internacional de seleções, mas perdeu nas ‘meias’ diante da Espanha (2-0), campeã em 2010 e detentora do título europeu, e lutará pelo terceiro lugar com a Inglaterra, triunfante em 1966 e derrotada com reviravolta frente à bicampeã sul-americana Argentina (2-1).

“A culpa foi nossa, mas também da Espanha, que elevou o nível técnico. A desilusão é proporcional às ambições que tínhamos, mas há que aceitar. Eles foram melhores e merecem estar na final, tal como a Argentina”, disse Deschamps, rejeitando que o árbitro tenha ditado o desaire dos gauleses, apesar das críticas no fim do jogo à atuação do salvadorenho Iván Barton.

Apesar de garantir mudanças nas escolhas iniciais, o treinador confirmou a disponibilidade do avançado Kylian Mbappé, que luta pelo troféu de melhor marcador do Mundial2026, numa altura em que leva os mesmos oito golos de Lionel Messi, mas menos uma assistência do que o argentino, recordista de tentos na história da prova, com 21, contra 20 do francês.

“Não é a partida que ambicionávamos, mas temos o dever de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que as coisas correm bem. Há responsabilidades quando se veste esta camisola. Mbappé? Não precisa de fator motivacional. Parece-me legítimo ter uma meta individual”, frisou.

A Federação Francesa de Futebol (FFF) ainda não anunciou o sucessor de Deschamps, o único gaulês a participar nos dois títulos mundiais do seu país e um dos três a sagrar-se campeão como futebolista e treinador, na companhia do alemão e Franz Beckenbauer e do brasileiro Mário Zagallo.

Décimo jogador com mais internacionalizações (103), entre 1989 e 2000, e recordista de encontros no banco da França (186), Deschamps é o técnico com mais partidas (26) e vitórias (20) em Campeonatos do Mundo e deve ser rendido pelo também ex-médio Zinédine Zidane, inativo desde 2021, quando encerrou a segunda passagem pelos espanhóis do Real Madrid.

França e Inglaterra defrontam-se no sábado, às 17:00 locais (22:00 em Lisboa), no Estádio Hard Rock, em Miami Gardens, nos Estados Unidos, no jogo de atribuição da medalha de bronze do Mundial2026, um dia antes de Espanha e Argentina medirem forças na final da 23.ª edição da prova.

Os gauleses vão disputar o último lugar do pódio pela quarta vez, após as vitórias em 1958 e 1986 e a derrota em 1982, enquanto os britânicos apresentam dois desaires em outras tantas possíveis, em 1990 e 2018.



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