Impactos do tarifaço na rotina dos brasileiros são limitados; entenda
Economista avalia que tarifaço pode fazer preços caírem no Brasil, em vez de subirem, e ter pouco efeito sobre o dólar
O novo tarifaço de 25% sobre os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos tomou o noticiário macroeconômico nesta quinta-feira, 16. Mas, no final da cadeia, no bolso do cidadão brasileiro, qual deve ser o impacto dessa nova taxa? Ao que tudo indica até o momento, o efeito do tarifaço deve ser limitado.
Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, os danos maiores devem ocorrer nas empresas exportadoras, sobretudo dos setores de ferro e aço, madeira, têxtil e calçados. Com quedas em exportações, esses setores podem sofrer com perda de mercado e uma consequente diminuição de empregos.
Porém, para o consumidor final, não há a expectativa de aumento de preços — pelo contrário. “A experiência do ano passado sugere o oposto. Quando os produtores brasileiros perderam espaço para exportar aos EUA, muitos passaram a vender mais no mercado interno, o que ajudou a segurar preços por aqui”, afirma Kayo.
Ele explica, no entanto, que tal efeito deve ser menor desta vez, porque parte das produções já foram reduzidas na expectativa de novos riscos tarifários. “Ainda assim, o sinal aponta mais para pressão baixa sobre a inflação do que para alta de preços”, diz.
O economista também entende que o tarifaço não deve gerar um aumento brusco do dólar. “O mercado já esperava a tarifa havia dias, e o dólar fechou o dia do anúncio praticamente parado, perto de R$ 5,08”, afirma.
Ainda assim, caso ocorra uma subida do dólar mais duradoura, Kayo analisa que, então, os preços no mercado brasileiro poderiam subir. “Itens que dependem de insumos importados, como combustível e eletrônicos, podem sentir isso pouco a pouco, ao longo de meses. Mas esse não é o efeito principal a esperar agora”, diz.
“A avaliação geral é que o impacto tende a ser menor do que no primeiro tarifaço, aplicado há um ano. Um dos motivos é que o Brasil não depende tanto assim dos EUA. O país exporta muito mais para a China, o que limita o efeito sobre a economia como um todo. Naquela ocasião, o Brasil sentiu uma leve perda de ritmo de crescimento no semestre seguinte, mas o efeito desta vez deve ser ainda mais contido”, resume.
Caso haja uma retaliação por parte do Brasil, no entanto, pode haver aumento de preços no País. Isso porque a Lei de Reciprocidade permitiria taxar produtos importados dos EUA em resposta, o que pode tornar itens eletrônicos e alguns bens de consumo vindos de lá mais caros.
De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio brasileiro devem ser afetados pela nova tarifa. A entidade estima que o tarifaço deve atingir 3.000 produtos que o Brasil exporta para os EUA.

-1ibjsydzallbq.jpg)