Inglaterra-Argentina: o duelo que Messi nunca teve e que tanta história tem (até à Mão de Deus)

Inglaterra-Argentina: o duelo que Messi nunca teve e que tanta história tem (até à Mão de Deus)


Argentina, Inglaterra, Diego Maradona, Lionel Messi, David Beckham… enfim, que tanta história vai para aqui, em vésperas do reencontro entre argentinos e ingleses, que traz sobretudo às memórias do mundo do futebol aquele mítico jogo dos quartos de final de 1986 no Azteca.

Agora, 40 anos depois disso, Lionel Messi e companhia seguem em busca de revalidar o título, ou Inglaterra volta à final 60 anos depois do primeiro (e único) título mundial em casa?

A resposta será dada esta quarta-feira, a partir das 20 horas, na segunda meia-final do Mundial 2026, que terá, no Estádio Mercedes-Benz, em Atlanta, o reencontro entre duas seleções que já se defrontaram 14 vezes, a última delas há quase 21 anos, num particular, em novembro de 2005, na Suíça, na preparação para o Mundial 2006.

Nessa data, um bis tardio de Michael Owen valeu a reviravolta inglesa e vitória por 3-2, a última de seis dos ingleses, para apenas duas dos argentinos e seis empates (ainda que um destes, no Mundial 1998, tenha dado triunfo sul-americano no desempate por penáltis). Era o já falecido Sven-Goran Eriksson o selecionador dos «Três Leões», contra a Argentina de Pékerman. Daí para cá, muito mudou na história do futebol.

E mudou de tal forma que esta vai ser a primeira vez que Messi vai defrontar Inglaterra. Sim, «La Pulga», um dos mais consagrados jogadores da história do futebol nunca defrontou Inglaterra! Desde 2005, não houve qualquer duelo entre as duas seleções em Mundiais, ou de carácter particular. Há 21 anos, o então «teenager» a despontar no Barcelona falhou o duelo com os ingleses depois de ter sido expulso na sua estreia pela seleção, contra a Hungria. Terá agora oportunidade, quando se prepara para a sua 206.ª internacionalização, de ter duelo contra o único campeão do mundo que nunca enfrentou.

«Albiceleste» procura repetir Brasil e Itália

Com a Argentina ainda em prova, a edição 2026 do Mundial mantém em aberto a possibilidade de acontecer algo que só por duas vezes aconteceu na história dos Mundiais, em 22 edições realizadas: um campeão do mundo repetir o troféu quatro anos depois. Um feito que só a Itália (campeã em 1934 e em 1938) e o Brasil (1958 e 1962) conseguiram. Será que a Argentina consegue?

Se assim for, a também campeã do mundo em 1978 e 1986 igualará Itália e Alemanha com quatro títulos. Mas, a dois jogos de poder levantar o troféu, o também finalista vencido em 1990 e 2014 tem, para já, um duro teste ante uma Inglaterra forte e que procura repetir o que fez em 1966. Talvez, na teoria, e apesar das dificuldades ante Cabo Verde, Egito e Suíça, o primeiro grande teste ante um dos verdadeiros candidatos ao título.

Sexto duelo em Mundiais… e aquela tarde de Maradona no Azteca

Além de nove particulares já realizados, Inglaterra e Argentina vão defrontar-se pela sexta vez em Mundiais.

E o duelo que mais marcou a história aconteceu há pouco mais de 40 anos, quando Maradona, com a «mão de Deus» perante Peter Shilton e o «golo do século», numa quente tarde de sol no Azteca e quatro anos depois da Guerra das Malvinas, deu a vitória à Argentina, por 2-1. O tento de Gary Lineker não chegou ante uma seleção que se sagraria campeã mundial. Esta quarta-feira, e tal como há quatro décadas, a «albiceleste» vai vestir o mesmo azul.

Antes disso, houve duas vitórias inglesas. Na fase de grupos do Mundial 1962, por 3-1, com golos de Ron Flowers, Bobby Charlton e Jimmy Greaves. José Sanfilippo marcou para os argentinos. Nos quartos de final de 1966, no caminho para o título, um golo de Geoff Hurst fez sorrir os ingleses em Wembley.

Mais recentes são os duelos de 1998 e 2002. Há 28 anos, a Argentina apurou-se para os quartos de final ao vencer nos penáltis, por 4-3, depois do empate a dois golos. Em 2002, não foi nos penáltis, mas sim com um penálti de David Beckham que os «Três Leões» venceram na fase de grupos, da qual os sul-americanos não passaram, num dos seus piores desempenhos na prova, a par de 1958 e 1962.

O melhor ataque contra a esperança de um coletivo

A Argentina chega às meias-finais do Mundial 2026 como a seleção mais concretizadora na prova: são 17 golos marcados, para 13 de Inglaterra (quarto melhor ataque), tendo ambas em comum seis golos sofridos. A atual campeã chega às meias-finais só com vitórias, mas sofreu sempre golos nos últimos quatro jogos. Já a Inglaterra de Thomas Tuchel só não venceu, em seis jogos, ao Gana de Carlos Queiroz.

A equipa treinada por Lionel Scaloni destaca-se ainda, nos parâmetros gerais, e de acordo com os dados compilados pelo Sofascore para o Maisfutebol, como a equipa com mais passes precisos (611.5), perante uma Inglaterra que, a fazer-se valer – ao contrário de várias fases finais de insucesso neste século – muito pelo seu coletivo sólido, assente em nomes como Jude Bellingham, Harry Kane ou Declan Rice.

Nas estatísticas globais, por sua vez, Inglaterra sobressai como a segunda seleção deste Mundial com média mais alta de grandes ocasiões de golo criadas (4.2 por jogo) e mostra-se como a quarta mais rematadora (6.7 por jogo).

Messi-Bellingham: duelo de protagonistas

O Inglaterra-Argentina vai ter também um duelo particular entre as principais figuras de cada seleção até ao momento. Lionel Messi e Jude Bellingham.

Messi, atual melhor marcador da prova ao lado de Mbappé, com oito golos, é destacadamente a figura argentina deste Mundial. Nos dados do Sofascore para o nosso jornal, apresenta uma impressionante nota média de 9.18 em 10 no global das prestações em seis jogos. Só não marcou contra a Suíça (mas assistiu), já depois do hat-trick à Argélia, do bis à Áustria e de golos ante Islândia, Jordânia, Cabo Verde e Egito (contra quem também assistiu).

Já Bellingham, quarto melhor marcador do Mundial até ao momento, com seis golos (os mesmos do compatriota Harry Kane e a um de Haaland), já permitiu um recorde para o Real Madrid nesta edição. Leva uma nota média de 7.95 em 10 nos seis jogos, tendo-se mostrado mais decisivo nos oitavos e nos quartos de final, ao bisar ante México e Noruega.

Tuchel procura primeiro título, Scaloni venceu todas as finais

Tuchel tem feito sonhar os ingleses neste Mundial, com a quarta chegada às meias-finais, depois de 1966, 1990 e 2018. O alemão de 52 anos, que assumiu a seleção no início de 2025, leva 20 jogos ao comando e um registo bastante positivo, com 16 vitórias, dois empates e duas derrotas. Persegue o primeiro título à frente da equipa nacional. E pode até sorrir com um dado curioso… com a Croácia metida ao barulho. Perceba aqui.

Do outro lado, «La Scaloneta». O argentino de 48 anos, que assumiu o comando após o Mundial 2018, conta já 102 jogos pela seleção, com 79 vitórias, 14 empates e nove derrotas. Em quase oito anos, são quatro títulos em quatro finais: no Mundial 2022 (ganho ante a França no desempate por penáltis), nas edições da Copa América de 2021 (ante o Brasil) e 2024 (ante a Colômbia, no prolongamento) e a Finalíssima de 2022, ante Itália.



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