Navio que passou por Portugal poderia levar reator nuclear – Observador

Navio que passou por Portugal poderia levar reator nuclear – Observador



Os restantes 14 tripulantes abandonaram o barco num bote insuflável e foram resgatados por um barco das autoridades espanholas até à chegada de um barco militar de Espanha. No entanto, meia hora depois, o Ivan Gren (um dos barcos russos de apoio ao Ursa Major) ordenou o afastamento dos barcos espanhóis e exigiu a devolução dos tripulantes resgatados.

As autoridades espanholas resistiram. Insistiram que, primeiro, deviam levar a cabo uma operação de resgate, e enviaram um helicóptero para procurar sobreviventes — como o comprovarão as imagens consultadas pela CNN, que mostram um socorrista a tentar procurar sobreviventes na sala das máquinas do navio, mas a não conseguir entrar nesta divisão selada.

Fontes revelaram à emissora televisiva norte-americana que nada parecia indicar o naufrágio daquele navio, mas às 21h50 do dia do naufrágio, o Ivan Gren disparou vários foguetes de sinalização e foram ouvidas pelo menos quatro explosões — ao mesmo tempo, naquela área, foram registadas quatro atividades sísmicas semelhantes a minas subaquáticas. Menos de duas horas depois, o navio afundou.

De acordo com as informações reveladas pelo Governo, após forte insistência da oposição, os 14 sobreviventes russos foram levados para o porto de Cartagena, no sudeste espanhol, onde foram interrogados pela polícia — o capitão do Ursa Major ter-se-á mostrado relutante em falar sobre o conteúdo do navio.

Sob pressão, terá confessado que as supostas enormes “tampas de esgoto” eram, afinal, “componentes de dois reatores nucleares semelhantes aos usados pelos submarinos” para serem entregues no porto norte-coreano de Rason, mas, de acordo com o seu relato, não teriam combustível nuclear.

Segundo a CNN, a investigação espanhola levanta dúvidas sobre o motivo apresentado originalmente para a viagem: porque motivo iriam os russos fazer aquele transporte de barco de dois guindastes, 100 contentores vazios e duas “tampas de esgoto”, atravessando a costa europeia, em vez de aproveitarem a extensa e desenvolvida rede ferroviária da Rússia? Esta interrogação leva as autoridades a entenderem que, de facto, o barco transportaria material mais sensível (o que justificaria o transporte de duas gruas, para ajudar na entrega da carga).

A tripulação sobrevivente regressou à Rússia alguns dias depois. Num comunicado oficial, a Oboronlogistics disse que “o convés da embarcação” foi destruído num “ataque terrorista”.

Mas a ação no local do naufrágio estava longe de terminar. Uma semana depois do incidente, os militares russos voltaram à zona. O Yantar — um barco suspeito de ser usado pelos russos para espionagem — navegou no local do naufrágio durante cinco dias, antes de serem ouvidas mais explosões.

As notícias publicadas no jornal La Verdad, que cobre a atualidade regional de Cartagena, sobre o assunto levantaram várias questões, com vários políticos da oposição a questionar o silêncio do Governo sobre o assunto. Nas declarações que prestou, o Executivo disse que os restos do Ursa Major estavam a cerca de 2.500 metros de profundidade e que a recuperação de elementos relevantes não seria possível “sem riscos significativos”. Os especialistas devolvem a questão, sem resposta, ao Governo: se não há material radioativo, qual o risco?

Depois dos russos, também os norte-americanos enviaram, por duas vezes, aeronaves com capacidade de detetar atividade nuclear, mas fontes oficiais não garantem que tenha sido por suspeitas de radioatividade naquela zona.

As suspeitas de que os reatores nucleares teriam como destino a Coreia do Norte ganham força pela relação entre Moscovo e Pyongyang e pelo investimento feito por Kim Jong-un nesta matéria — há pouco mais de um ano, o ditador foi fotografado a visitar a construção do primeiro submarino nuclear.

Dois meses antes do naufrágio, Kim Jong-un enviou pelo menos dez mil soldados norte-coreanos para a Rússia, para lutar contra a Ucrânia. A investigação da CNN dá conta que os reatores seriam do modelo VM-4SG, comum no arsenal russo.

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