Como três derrotas democratas na Justiça podem entregar a Câmara dos EUA a Trump
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- Em 8 de março, a Suprema Corte da Virgínia anulou o referendo de redistritamento aprovado em abril, que poderia garantir até quatro cadeiras aos democratas.
- O tribunal alegou que a proposta violava a constituição ao permitir gerrymandering partidário sem precedentes, invalidando o resultado da votação.
- Em 27 de abril, o governador da Flórida, Ron DeSantis, divulgou novos mapas que criam quatro cadeiras adicionais para republicanos, mantendo a vantagem estadual de 20 a 8.
- Uma decisão da Suprema Corte sobre a Lei dos Direitos de Voto, considerada a mais impactante, também prejudicou os democratas e o direito ao voto nos EUA.
Considerados favoritos para retomarem o controle da Câmara dos Representantes nos Estados Unidos, hoje alinhada a Donald Trump, nas eleições de meio de mandato, os democratas sofreram três grandes golpes que abalaram o otimismo do partido.
Nesta sexta-feira (8), a Suprema Corte da Virgínia anulou o referendo sobre o redistritamento eleitoral aprovado recentemente no estado. A proposta, aprovada por três pontos percentuais no final de abril, poderia assegurar até quatro cadeiras à legenda que faz oposição a Donald Trump. O tribunal decidiu que o estado propôs uma emenda constitucional para permitir o gerrymandering partidário de uma forma “sem precedentes”, que “compromete irreparavelmente a integridade da votação do referendo resultante e a torna nula e sem efeito”.
O país vive uma guerra partidária sobre o redesenho de distritos eleitorais. O governador da Flórida, Ron DeSantis, respondeu ao agressivo redesenho dos distritos eleitorais da Virgínia, divulgando, seis dias após o referendo, em 27 de abril, mapas que criaram quatro cadeiras adicionais para o Partido Republicano na Flórida.
Atualmente, os republicanos da Flórida detêm uma vantagem de 20 a 8 no estado, graças a um mapa eleitoral imposto por lei há quatro anos por DeSantis. Com o novo mapa, podem chegar a 24.
O golpe na Lei dos Direitos de Voto
Mas a decisão mais devastadora, não só para os democratas mas para o direito ao voto e à igualdade nos EUA, foi da Suprema Corte. Por 6 a 3, os magistrados decidiram que os atuais limites dos distritos eleitorais da Louisiana constituem uma “manipulação eleitoral racial inconstitucional”. A decisão anula na prática a Seção 2 da Lei dos Direitos de Voto, a última disposição importante da lei de direitos civis de 1965 que impedia a discriminação racial no voto.
Esta legislação tem sido usada há muito tempo para garantir que os eleitores de minorias sejam tratados de forma justa no processo de redistribuição de distritos eleitorais.
“Quando analisamos a ação da Suprema Corte contra a Lei dos Direitos de Voto, vemos que é realmente um golpe baixo – uma forma de discriminar, de silenciar os eleitores que lutaram tanto por esse direito”, disse Sheyann Webb-Christburg ao The Guardian. Aos oito anos de idade, ela marchou com líderes dos direitos civis em Selma, Alabama, em 1965.
É provável que a decisão dê início a esforços no Alabama, Mississippi, Tennessee e vários outros estados para elaborar mapas eleitorais mais favoráveis aos republicanos, segundo o site Axios.
O site aponta que a esperança dos democratas reside no fato de seus candidatos terem apresentado um desempenho consistentemente melhor nas eleições suplementares deste ciclo, em comparação com a participação eleitoral da era Trump. Na terça-feira (4), em Michigan, a candidata democrata ao Senado venceu por 19 pontos percentuais em um distrito onde a ex-vice-presidente Kamala Harris havia conquistado por menos de 1 ponto percentual em 2024.
As eleições de meio de mandato serão realizadas em novembro nos EUA.
