Milei faz Argentina ter recorde de saída de dólares e investimento estrangeiro ficar negativo

Milei faz Argentina ter recorde de saída de dólares e investimento estrangeiro ficar negativo


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  • Sob a presidência de Javier Milei, a Argentina registrou recorde histórico de saída de dólares.
  • O fluxo de investimento estrangeiro direto no país ficou negativo.
  • O aumento das saídas de moeda reflete a deterioração da confiança dos investidores externos.
  • O cenário econômico aponta para desafios na atração de capital externo.

O governo de Javier Milei enfrenta um duro choque de realidade na economia, contradizendo o discurso oficial da Casa Rosada.  O investimento estrangeiro não respondeu aos incentivos extraordinários do programa de incentivos RIGI (que terá uma nova versão) e a prometida “avalanche de dólares” não se concretizou. Pelo contrário, a liberalização cambial acelerou a fuga de capitais, segundo matéria do Pagina12.

Em março, as remessas de lucros para o exterior atingiram o nível mais alto em mais de 15 anos, com saídas de US$ 876 milhões, evidenciando que as empresas estrangeiras preferem retirar seus recursos do país a reinvestir na economia local.

Os dados oficiais do Banco Central da Argentina confirmam o cenário de retração de aportes estrangeiros. O Relatório de Investimento Estrangeiro Direto (IED) do quarto trimestre de 2025 registrou um saldo negativo histórico, com uma saída líquida de US$ 4,687 bilhões.

Esse rombo foi impulsionado principalmente pelo pagamento de dívidas comerciais do setor de exportação agrícola com matrizes no exterior. Além disso, a taxa de reinvestimento de lucros por empresas estrangeiras despencou para meros 17%, uma das mais baixas em anos, segundo a reportagem do periódico argentino.

Abismo entre narrativa de Milei e a realidade

Economistas apontam um abismo entre a narrativa do governo de Javier Milei e os dados concretos. Enquanto o governo celebra a aprovação de projetos bilionários no papel, a realidade mostra um esquema predatório financiado pelo Estado, focado em setores extrativistas como mineração e petróleo.

O economista Martín Burgos, como relata o Pagina12, calculou a diferença entre o investimento estrangeiro direto acumulado recebido de 2003 até o presente e o fez o mesmo cálculo para a remessa de lucros e dividendos acumulados no período, constatando que a diferença é de meros 6 bilhões de dólares.

A qualidade dos poucos recursos que entram na Argentina também é questionável. Os parcos aportes de capital registrados no fim de 2025 vieram majoritariamente de intermediários financeiros, um setor com baixo impacto na geração de empregos.




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