De recusado a aprovado em meses: como Campos Neto abriu caminho para Vorcaro a chegar ao comando do Master

De recusado a aprovado em meses: como Campos Neto abriu caminho para Vorcaro a chegar ao comando do Master


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  • Roberto Campos Neto autorizou Daniel Vorcaro a assumir o Banco Máxima em outubro de 2019, 8 meses após o BC ter barrado a operação na gestão de Ilan Goldfajn.
  • O pedido original foi rejeitado em fevereiro de 2019 por dúvidas sobre a capacidade econômica de Vorcaro e a origem dos recursos.
  • A diretoria colegiada do BC aprovou a transferência por unanimidade, com Vorcaro já detendo ao menos 15% do capital do banco.
  • A operação abriu caminho para o avanço de Vorcaro no setor bancário e ganha novo peso diante da crise envolvendo o Banco Master.

Roberto Campos Neto autorizou Daniel Vorcaro a assumir o então Banco Máxima (primeiro nome do Banco Master) oito meses depois de o Banco Central ter barrado a mesma operação na gestão de Ilan Goldfajn. A mudança de posição da autoridade monetária recoloca sob pressão os critérios adotados pelo órgão em um caso que se tornou central na trajetória do banqueiro no sistema financeiro.

Segundo apuração da Folha de S.Paulo, o pedido foi rejeitado em fevereiro de 2019 por dúvidas sobre a capacidade econômica de Vorcaro e sobre a origem dos recursos da operação. Em 14 de outubro daquele ano, já sob o comando de Campos Neto, a diretoria colegiada do BC aprovou por unanimidade a transferência de controle.

Naquele momento, Vorcaro já era participante qualificado do Máxima, com ao menos 15% do capital total. A operação abriu caminho para o avanço do empresário no setor bancário e hoje ganha novo peso diante da crise envolvendo o Banco Master e das revelações sobre sua relação com o ex-presidente do BC.

Recusa inicial expôs dúvidas sobre o dinheiro

A primeira negativa do Banco Central foi baseada em parecer técnico que apontou falhas na comprovação da origem dos recursos usados na compra. Havia, segundo a reportagem, suspeita de circularização, hipótese em que o próprio banco teria financiado a operação de aquisição.

O voto do então diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, Sidnei Corrêa Marques, sustentou que o requisito de capacidade econômico-financeira não havia sido atendido. Com isso, a análise regulatória ficou travada já nesse ponto, sem avanço sobre outras exigências para a aprovação do negócio.

O Máxima atravessava dificuldades financeiras e estava sob forte pressão regulatória. Nesse cenário, a entrada de Vorcaro aparecia como uma alternativa para evitar um desfecho mais grave para a instituição.

Nova estrutura destravou a operação

Depois da recusa, Vorcaro apresentou um novo pedido ao BC em abril de 2019. Desta vez, a proposta foi estruturada com Armando Miguel Gallo Neto e Felipe Wallace Simonsen, por meio da 133 Investimentos e Participações.

Sempre segundo a Folha, a nova investida buscou corrigir as falhas apontadas pela área técnica. Vorcaro apresentou balanço auditado da Viking Participações, ajustou declarações de Imposto de Renda e reforçou o aporte com empréstimo, além de incluir novos investidores na composição do negócio.

Os sócios também adquiriram letras financeiras subordinadas, instrumentos que podem ser convertidos em capital. A partir desse novo arranjo, a área técnica do Banco Central passou a considerar superadas as dúvidas sobre a capacidade econômica do grupo e sobre a origem do dinheiro usado na operação.

Bastidores ampliam pressão sobre o caso

A reportagem menciona ainda uma mensagem encontrada pela Polícia Federal no celular de Vorcaro no início de fevereiro de 2019. Nela, o banqueiro afirma estar havia dois anos sendo rechaçado e pede ajuda para que a operação fosse aprovada antes da saída de Sidnei Corrêa Marques do cargo.

O episódio voltou ao centro do debate em meio ao avanço das apurações sobre o Banco Master. A Fórum mostrou que a relação entre Campos Neto, Daniel Vorcaro e o Banco Central passou a ser alvo de questionamentos públicos, políticos e regulatórios.

A cobertura da Fórum também revelou que Campos Neto blindou Vorcaro e impediu a liquidação do Master em ao menos duas ocasiões e que um ex-chefe de regulação do BC na gestão do ex-presidente da autarquia recebeu R$ 3 milhões de Vorcaro. Com a nova revelação da Folha, cresce a pressão por explicações sobre como o Banco Central mudou de entendimento em um intervalo de poucos meses.




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