Aumento das mulheres no consumo de vinhos determina mudança no mercado

Aumento das mulheres no consumo de vinhos determina mudança no mercado



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O avanço da presença feminina no universo do vinho deixou de ser apenas uma mudança cultural para se tornar um fator econômico mensurável. Hoje, mulheres influenciam decisões que vão do consumo à produção, ao posicionamento de marca e às estratégias comerciais de vinícolas e empresas do setor em diferentes países. O movimento é observado tanto no Brasil quanto no mercado internacional e vem alterando a forma como a indústria entende seu público.

Segundo o relatório IWSR Brazil Wine Landscapes 2025, as mulheres representam 53% do mercado consumidor de vinhos no Brasil, crescimento de cerca de 6 pontos percentuais em relação a 2019, considerando os dados consolidados até 2024. Nos Estados Unidos — maior mercado consumidor do mundo — elas também são maioria: cerca de 59% dos consumidores de vinho, contra 41% de homens, de acordo com levantamento do Wine Market Council. O estudo mostra ainda que o protagonismo feminino vai além do consumo direto: até 83% das decisões de compra de vinho passam por mulheres, seja na escolha do rótulo, da marca ou do local de compra.

Para especialistas, esse crescimento ocorre porque as mulheres passaram de consumidoras ocasionais para agentes centrais da decisão de compra doméstica, influenciando escolhas tanto no varejo físico quanto no comércio eletrônico. Esse comportamento vem acompanhado de maior envolvimento com pesquisa prévia, avaliações digitais e conexão emocional com marcas e territórios produtores, o que amplia o peso do público feminino na definição das estratégias do setor.

“Sem dúvida. A relação entre mulheres e vinho passou por uma verdadeira metamorfose nos últimos dez anos, deixando de ser um consumo marginal ou estereotipado para assumir um papel de liderança no mercado global”, afirma Cecilia Castellani, especialista em vinhos e CEO da vinícola italiana Castellani. Segundo ela, no passado as mulheres eram frequentemente vistas como consumidoras passivas nas decisões de compra, que delegavam escolhas aos parceiros. “Hoje, são muitas vezes as principais responsáveis pelos gastos domésticos e consumidoras exigentes e bem informadas”, diz.

O setor de negócios também acompanha esse aumento da presença feminina no consumo. À frente de uma das vinícolas mais tradicionais da Toscana, fundada em 1903, Castellani observa que cerca de 28% das vinícolas italianas já são geridas por mulheres. Para ela, essa liderança traz uma visão mais integrada entre produção, marketing e sustentabilidade. “A gestão feminina introduz uma abordagem multidimensional que conecta produção, estratégia comercial e dimensão humana — fatores cruciais para o sucesso das vinícolas hoje”, afirma.

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Segundo a executiva, modelos de liderança mais colaborativos também contribuem para tornar as empresas mais ágeis e sensíveis às mudanças sociais e ambientais. “Com o número de consumidoras de vinho em constante crescimento, uma visão gerencial feminina permite compreender melhor os gostos e tendências desse segmento de mercado”, acrescenta.

O aumento da presença feminina também vem alterando o perfil de consumo e as estratégias de marketing. Para Mirella Fantinel, representante da importadora de vinhos italianos Italys Wine, o maior número de mulheres funciona como um vetor de modernização do setor. “No posicionamento de marca, vemos um afastamento de campanhas segmentadas por gênero em favor de uma comunicação mais sofisticada e neutra”, afirma. Segundo ela, o lançamento de novos rótulos já considera o paladar delas como um indicador relevante de sucesso comercial, dado o papel central que essas consumidoras exercem nas decisões de compra tanto no varejo quanto no comércio eletrônico.

Nesse cenário, especialistas avaliam que o futuro do setor vitivinícola dependerá cada vez mais da capacidade das empresas de compreender e dialogar com esse público. “As mulheres hoje não apenas consomem mais vinho, mas pesquisam, influenciam escolhas e determinam tendências”, diz Fantinel. “Entender esse comportamento e dialogar com ele de forma autêntica será determinante para o crescimento e a relevância das marcas no mercado global.”



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