600 mil hectares de florestas nativas: com financiamento internacional, coalizão quer restaurar biomas brasileiros
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- Coalizão liderada pelo WRI Brasil, com CI‑Brasil, TNC Brasil, WWF‑Brasil e o Ministério do Meio Ambiente, lançará restauração de 600 mil ha de vegetação nativa.
- O projeto será financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF‑8) e visa remover 34 milhões de toneladas de CO₂e e beneficiar 150 mil pessoas.
- As ações ocorrerão nos seis biomas brasileiros (Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa), integrando a meta da Proveg de 12 milhões ha até 2030.
- A estratégia combina projetos‑piloto, atração de investimentos privados e fortalecimento de políticas públicas para criar um mercado de restauração ecológica.
Uma coalização liderada pelo World Resources Institute (WRI) Brasil, especializado em pesquisa ambiental, junto a outras instituições de conservação ecológica e ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), vai levar a cabo uma iniciativa de restauração que prevê a recuperação de 600 mil hectares de vegetação nativa do Brasil.
Em parceria com a Conservação Internacional (CI-Brasil), a The Nature Conservancy (TNC) Brasil e o WWF-Brasil, organizações que integram a União pela Restauração, surgida durante a Conferência do Clima da ONU de 2021, o instituto vai receber financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF-8) para incentivar a recuperação ambiental e a agroecologia.
Segundo os organizadores, a restauração vai ajudar a remover o equivalente a 34 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂e) da atmosfera e beneficiar 150 mil pessoas de forma direta. Desse total, pelo menos 35% serão mulheres.
A meta faz parte da Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg), que prevê a recuperação de 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030.
As iniciativas de replantio e de fortalecimento de cadeias produtivas ecológicas vão ocorrer nos seis biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.
A estratégia do projeto combina três níveis de atuação: projetos-piloto em campo, desenvolvimento de mecanismos para ampliar investimentos privados e fortalecimento das políticas públicas, segundo o vice-presidente sênior da Conservação Internacional (CI-Brasil), Mauricio Bianco.
O Restaura Biomas pretende aproximar governos, empresas, investidores, organizações da sociedade civil e comunidades locais para estruturar um mercado voltado à restauração ecológica, com colaboração do setor privado.
De acordo com uma avaliação oficial apresentada pelo Ministério do Meio Ambiente durante a COP30, já há pelo menos 3,4 milhões de hectares em processo de restauração no Brasil, que correspondem a cerca de 28% da meta nacional.
O Planaveg (Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa), principal instrumento da Proveg, prevê recuperar nove milhões de hectares de vegetação em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais, conforme o Código Florestal, além de dois milhões de hectares em Unidades de Conservação e Terras Indígenas.
Com o Restaura Biomas, a TNC Brasil ficará responsável pela coordenação de políticas públicas e pela estruturação de plataformas de monitoramento geoespacial.
O WWF-Brasil desenvolverá modelos de negócios para financiar a restauração junto ao setor privado, enquanto a CI-Brasil atuará na conexão entre os mercados e as políticas públicas.
Já o WRI Brasil, responsável pela execução do plano, atuará na área de pesquisas ambientais voltadas à recuperação da vegetação nativa.
