Viana diz que mensagem de Vorcaro foi para número funcional do STF e que Moraes deveria ser afastado
Presidente da CPMI do INSS afirmou também que Dias Toffoli deveria ser retirado do cargo e defendeu criação de colegiado para investigar o caso Master
17 mar
2026
– 23h30
(atualizado em 17/3/2026 às 00h11)
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, afirmou nesta segunda-feira, 16, que a mensagem de Daniel Vorcaro, questionando se o interlocutor teria conseguido “bloquear”, enviada no dia da primeira prisão do banqueiro, teve como destino um telefone funcional do Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme revelou a colunista Malu Gaspar, do jornal “O Globo” e confirmou o Estadão, as mensagens eram destinadas ao ministro Alexandre de Moraes. O ministro, porém, negou, sem explicar se teve alguma conversa com Vorcaro.
“O número que aparece naquela mensagem é um número funcional do Supremo. Cabe agora, oficialmente, ao Supremo, se nós tivermos essa condição na investigação, que é o básico de uma investigação profunda, que o Supremo nos responda com quem estava aquele número de telefone no momento em que o Vorcaro manda a mensagem. Mas que é um número do STF não há dúvida nenhuma”, afirmou Carlos Viana em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
Ele também defendeu que Moraes deveria estar afastado durante as investigações, por decisão do próprio STF e que vai oficiar a Corte para ter a confirmação de com quem estava o telefone.
“Aqui me preocupa pois, em qualquer país sério, o ministro Alexandre de Moraes estaria afastado do cargo até que a investigação terminasse e nós determinássemos se ele tem culpa ou não nessa história”, afirmou.
Embora defenda que não se deve fazer uma “pré-condenação”, Viana diz que “pelo poder que tem como ministro”, Moraes “deveria estar fora do cargo para que a investigação pudesse ser a mais isenta possível em relação a esse escândalo”.
Na entrevista, Carlos Viana também defendeu a criação de uma CPI do Banco Master, afirmou que o STF “não respeita mais absolutamente nada, toma decisões e se contradiz” e afirmou que Dias Toffoli também deveria ser afastado do cargo. Além disso, ele criticou a relação entre políticos e ministros da Corte.
“Ninguém quer mexer com o Supremo que investiga alguém. Essa relação de promiscuidade de que você não toca o processo e eu não faço nada contra você é muito ruim. É a minha visão hoje. Assim como os ministros do Supremo deveriam ser afastados – e eu digo aqui: ‘Toffoli e Alexandre de Moraes não deveriam estar no cargo’ – também no próprio Parlamento, uma pessoa quando é pega em uma operação da Polícia Federal com provas robustas de envolvimento de parlamentar ele tinha que ser afastado também”, complementou.
Viana também afirmou que acredita que o ministro André Mendonça homologaria uma delação de Daniel Vorcaro, mesmo que o banqueiro denunciasse outros ministros da Corte.
Viana diz ter enviado recursos de emenda à Lagoinha, mas nega relação com Zettel
Na entrevista, o senador foi questionado sobre o fato de ter destinado R$ 3,6 milhões em emendas para a sede da Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte, em 2019, mas negou ter relação com Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, que era pastor da instituição.
Segundo o senador, Zettel foi pastor de uma espécie de filial da Lagoinha. Vorcaro e Zettel estão presos sob suspeita de fraudes no Banco Master.
“Ajudei dezenas de fundações. O governo deve muito às igrejas pelas assistências sociais em presídios”, afirmou Viana.
Proibido pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de votar quebras de sigilos de investigados em bloco, o senador afirmou que pedirá à CPI do Crime Organizado o compartilhamento dos dados de Zettel. “Não vou blindar ninguém.”
Ele voltou a defender a quebra do sigilo de Fábio Luís da Silva, filho do presidente Lula. Um ex-funcionário de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como principal operador das fraudes afirmou que Lulinha recebia uma mesada de R$ 300 mil do lobista. A defesa de Lulinha nega, embora tenha admitido ao STF que Careca do INSS pagou uma viagem a Portugal para o filho do presidente.
“O governo blindou e nos impediu de quebrar o sigilo fiscal dele”, disse Viana.
O senador também afirmou que na próxima quinta-feira, 19, vai colocar em votação requerimentos de convite ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o atual, Gabriel Galípolo, para que possam ir à CPMI, “de preferência juntos”, segundo ele, para não haver questões políticas envolvidas.
