Trump pressiona aliados e NATO para ajudarem a reabrir Ormuz – Observador

Trump pressiona aliados e NATO para ajudarem a reabrir Ormuz – Observador



O presidente dos Estados Unidos está a pressionar vários países para se envolverem numa coligação que proteja o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.

Numa entrevista ao Financial Times, Donald Trump, avisou que a NATO terá de enfrentar um “futuro muito mau” se os aliados falharem na ajuda para reabrir este canal que está “fechado” há duas semanas pelo Irão, em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel. O presidente americano defende que a China também deve ajudar já “que recebe 90% do petróleo que consome” da região, tendo mesmo sinalizado que iria adiar a visita que tencionava fazer ao país até saber a resposta de Pequim.

Segundo o Wall Street Journal, a administração de Trump planeia anunciar já esta semana uma coligação para escoltar em segurança os navios de gás e petróleo que estão a ser atacados pelo Irão quando querem sair ou entrar no Golfo Pérsico. De acordo com responsáveis citados pelo jornal, ainda está a ser discutido se essa potencial coligação irá ficar operacional antes ou depois do fim do conflito que os americanos insistem que vai ser rápido. Entre os países que os Estados Unidos querem mobilizar estão a China, a França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.

A Alemanha já sinalizou que “não irá participar no confronto”. A resposta foi dada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, quando questionado sobre se o país iria envolver-se nesta missão. Wadephul mostrou ainda reservas à possibilidade de expandir a missão naval regional Aspides, da União Europeia, até ao Estreito de Ormuz. Esta missão foi criada para proteger os navios da marinha mercante dos ataques dos Houttis no Mar Vermelho. Segundo o Financial Times, este cenário será analisado pelos ministros da União Europeia.

Já o primeiro-ministro britânico discutiu com Trump a importância de reabrir o Estreito de Ormuz, segundo revelou um porta-voz de Downing Street. Keir Starmer foi um dos líderes europeus a quem o presidente americano deu “um puxão de orelhas” pela falta de apoio à onda de ataques desencadeada pelos Estados Unidos e Israel.

Estes esforços diplomáticos antecedem a reabertura dos mercados esta segunda-feira com o objetivo de aliviar a pressão sobre os preços do petróleo que na sexta-feira fecharam nos 103 dólares por barril. As reservas de 400 milhões de barris de petróleo libertadas pelos membros da Agência Internacional de Energia devem começar a chegar esta segunda-feira ao mercado. No entanto, cresce o receio de que não será suficiente perante os sinais de que o conflito se irá prolongar para além do cenário de poucas semanas e a constatação de que mais infraestruturas energéticas estão a entrar no radar dos ataques das duas partes.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a oferta mundial de petróleo deverá cair oito milhões de dólares por dia em março devido à disrupção da navegação no Estreito de Ormuz. E os países do Golfo já cortaram 10 milhões de barris da sua produção.

Este domingo, o secretário de Estado da Energia americano voltou a repetir a tese. Chris Wright afirmou esperar que a guerra com o Irão termine “nas próximas semanas” permitindo baixar os preços da energia.

No mesmo dia o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano descartou o cenário de um cessar-fogo. “Nunca pedimos um cessar-fogo e nunca pedimos sequer para iniciar negociações”, afirmou Abbas Araqchi em declarações à cadeia americana CBS. “Estamos prontos para nos defender o tempo que for necessário”. O Irão já avisou que todos os interesses americanos na região do golfo são alvos.

Também Israel não parece ter pressa em resolver o conflito. Um porta-voz do exército israelita afirmou que estão identificados milhares de alvos no Irão que ainda estão por atingir.

Já no sábado, Donald Trump tinha apelado aos países que mais dependem da produção do Golfo Pérsico para se envolverem no esforço para manter aberta e segura a passagem de mais de um quinto das cargas mundiais de petróleo e gás. “Os Estados Unidos da América derrotaram e dizimaram completamente o Irão, tanto a nível militar como económico e em todos os outros aspetos, mas os países do mundo que recebem petróleo através do Estreito de Ormuz têm de cuidar dessa passagem, e nós vamos ajudar — muito! Os EUA também irão coordenar-se com esses países para que tudo corra de forma rápida, tranquila e bem-sucedida. Isto sempre deveria ter sido um esforço de equipa, e agora será”.

O aviso subiu de tom numa entrevista ao Financial Times onde Donald Trump foi mais agressivo e visou diretamente a NATO e os seus membros. “É mais do que apropriado que pessoas que são os beneficiários do Estreito venham ajudar a assegurar que nada de mal acontece”.

O que é a ilha de Kharg, a “joia da coroa” do Irão com milhares de anos de história por onde passa 90% do petróleo do regime?

As declarações foram feitas depois de um ataque que “obliterou totalmente”, na expressão de Trump, os alvos militares na Ilha de Kharg.

Localizada a noroeste do Estreito de Ormuz é aqui que está instalada a infraestrutura de produção e transporte de 90% do petróleo exportado pelo Irão. Estas instalações não foram afetadas, mas Trump ameaçou voltar aos ataques se entretanto não fosse reaberta a circulação do Estreito de Ormuz. Hora depois, a resposta das forças iranianas foi um raide de drones sobre o Porto de Fujairah, um dos Emirados Árabes Unidos. Situado no golfo de Óman, já depois de passado o Estreito de Ormuz — isto para os navios que vêm do Golfo Pérsico — este porto não estava a ser afetado pelo estrangulamento daquele corredor estratégico. Fujairah é um terminal petrolífero central para os Emirados, responsável pela exportação de um milhão de barris, cerca de 1% da oferta mundial.

Esta retaliação pode ser encarada como uma “escalada no conflito”, defende a analista do JP Morgan, Natasha Kaneva à agência Reuters. Para além de Fujairah, a refinaria de Ras Tanura, já visada neste conflito, e o campo petrolífero de Abqauq na Arábia Saudita, são outras infraestruturas apontadas como críticas para a capacidade de exportação dos países do Golfo.





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