Ter um cachorro pode salvar seu coração
Estudos indicam que donos de cães possuem risco 24% menor de morte e melhor saúde cardiovascular
A convivência com animais de estimação, especialmente cães, está diretamente ligada à longevidade e à redução do estresse em humanos. Muitas pessoas crescem com o desejo de ter um animal de estimação, mas nem todas imaginam que essa escolha pode ser uma questão de saúde pública. Segundo matéria do The New York Times, O cardiologista e economista Dhruv Kazi sempre foi obcecado por cachorros, mas só realizou o sonho da adoção aos 40 anos. Após se mudar para Boston e enfrentar o isolamento severo da pandemia em 2021, ele adotou Rumi, um filhote de vizsla. Segundo o médico, a presença do animal foi absolutamente crucial para manter sua sanidade mental em um período de imensa solidão.
Pesquisas realizadas ao longo de décadas reforçam essa percepção pessoal com dados científicos robustos. Ter um animal de estimação está associado a uma pressão arterial mais baixa e ao risco reduzido de doenças cardiovasculares. Uma revisão de estudos publicada em 2019 trouxe um dado impressionante: ter um cachorro está associado a um risco 24% menor de morrer por qualquer causa em um período de dez anos. A American Heart Association chegou a dedicar uma declaração científica ao tema, afirmando que a posse de um cão pode ser razoável para a redução de riscos cardíacos.
O papel do passeio com o cachorro na longevidade
Entretanto, especialistas debatem se essa relação é de causa ou apenas uma correlação. “Donos de animais de estimação em geral, mas donos de cachorros em particular, têm vidas mais longas e saudáveis do que pessoas que não têm animais”, diz Kazi. Uma das teorias é o aumento da atividade física. Adrian Bauman, professor emérito na Universidade de Sydney, ressalta ao The New York Times que é preciso distinguir o ato de ter um cachorro de realmente passear com ele. Segundo Bauman, 150 minutos de atividade moderada por semana são atingidos pela maioria dos donos que caminham com seus pets.
A saúde do dono e do animal parecem estar conectadas de forma profunda. Tove Fall, professora de epidemiologia na Suécia, conduz pesquisas que mostram que o ambiente compartilhado influencia ambos. Se um cachorro desenvolve diabetes tipo 2, seu dono tem maior probabilidade de enfrentar a mesma condição. “Você compartilha seu ambiente doméstico com seu cachorro”, diz Fall, reforçando que o estilo de vida do tutor costuma ser refletido no animal.
Além dos benefícios físicos, o bem-estar mental é um pilar fundamental dessa relação. Para quem mora sozinho, o cachorro combate as consequências do isolamento. Mesmo os amantes de gatos encontram benefícios, como o alívio do estresse que reduz o risco de infartos. Embora animais exijam recursos financeiros e emocionais, o retorno em saúde parece compensar o investimento.
