Seminário em Macapá destaca Bolsa Verde e empoderamento de mulheres na Amazônia
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) participou do Seminário Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) do Programa Bolsa Verde, realizado em Macapá (AP), entre 3 e 5 de março, no Museu Sacaca. O evento, com o tema ‘Fortalecer a agricultura familiar do campo, das águas e da floresta’, reuniu representantes do poder público, instituições parceiras, agricultores familiares, extrativistas e estudantes para apresentar resultados, debater desafios e anunciar novas parcerias na Amazônia Legal.
O seminário focou no aprimoramento da execução do Bolsa Verde por meio da ATER e na discussão sobre os impactos da mudança climática na região amazônica. A iniciativa visa fortalecer estratégias de conservação ambiental associadas à geração de renda e inclusão socioambiental. A secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Edel Moraes, destacou a contribuição histórica das populações tradicionais para a agenda socioambiental brasileira.
Participaram estudantes e representantes do Instituto Federal do Amapá (IFAP), da Universidade do Estado do Amapá (UEAP) e da Universidade Federal do Amapá (Unifap), além de entidades de classe e instituições públicas. A programação incluiu painéis temáticos, debates e apresentações de resultados, reforçando o compromisso com políticas públicas para o desenvolvimento sustentável e inclusão produtiva.
Agricultores familiares, extrativistas e representantes de comunidades tradicionais compartilharam experiências que mostram os impactos da assistência técnica na produção, geração de renda e melhoria da qualidade de vida. Beneficiária do programa, Marizete Martins Pereira, da Comunidade Perimirim, na Reserva Extrativista Araí-Peroba, relatou que as orientações técnicas aprimoraram o manejo da agricultura familiar, pesca e artesanato, além de melhorar a autoestima e autonomia das mulheres na comunidade.
Entre os resultados apresentados, destacam-se a participação feminina de 80% no público beneficiário, a ampliação do acesso ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) e ao Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), a inclusão no Fomento Rural, a organização coletiva para políticas públicas e mercados, e a sistematização da produção nas áreas atendidas. Atualmente, o ATER Bolsa Verde beneficia cerca de 5 mil famílias em 11 unidades de conservação federais e assentamentos nos estados do Amapá, Pará, Acre e Alagoas.
Durante o evento, foram formalizadas novas parcerias para ampliar a assistência técnica no Amapá, incluindo o projeto ‘Extensão Agroflorestal no Amapá’, no âmbito do Programa ATER Florestas Produtivas, que contemplará 850 estabelecimentos em 18 assentamentos, com foco em restauração produtiva e sistemas agroflorestais, e investimento de cerca de R$ 8 milhões.
No último dia, os participantes realizaram uma visita técnica à Reserva Extrativista do Cajari, a cerca de 300 km da capital. O seminário foi promovido pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), em parceria com o MMA, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Também estiveram presentes o presidente da Anater, Camilo Capiberibe, representantes do MDA, do Incra e lideranças de organizações sociais e povos tradicionais.
O Programa Bolsa Verde, executado pelo MMA, é referência na América Latina e no Caribe por aliar conservação ambiental à distribuição de renda e combate à pobreza. Ele apoia famílias em territórios tradicionais, como reservas extrativistas, florestas nacionais e assentamentos da reforma agrária, nas modalidades de Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) e Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS). A Anater, vinculada ao MDA, executa as ações de ATER para as famílias beneficiárias.
