Ricardo Nunes faz obra de contenção um dia depois que idosos morrem na enxurrada

Ricardo Nunes faz obra de contenção um dia depois que idosos morrem na enxurrada



Ricardo Nunes faz obra de contenção um dia depois que idosos morrem na enxurrada

  • Prefeitura de São Paulo iniciou instalação de barreira de concreto na Av. Carlos Caldeira Filho após morte de casal em enchente no córrego Morro do S.
  • Marcos Ribeiro, 68, teve o corpo encontrado após o carro ser arrastado; buscas por Maria Ribeiro, 67, continuam.
  • Filho do casal critica a falta de proteção anterior, enquanto prefeitura alega vandalismo em contenções prévias e atraso em obra de piscinão.

A Prefeitura de São Paulo iniciou neste sábado (17) a instalação de uma barreira provisória de concreto na avenida Carlos Caldeira Filho, na Vila Andrade, zona sul da capital, para evitar que veículos caiam no córrego Morro do S durante alagamentos. A medida foi adotada um dia após a enchente que arrastou o carro do motorista de aplicativo Marcos da Mata Ribeiro, de 68 anos, e da costureira Maria Deusdete Bezerra Ribeiro, de 67.

O corpo de Marcos foi encontrado neste sábado, a cerca de um quilômetro do local onde o veículo caiu no canal. As buscas pela esposa dele, Maria Deusdete, continuam sendo realizadas pelo Corpo de Bombeiros.

Para o filho do casal, Hugo Bezerra da Mata Ribeiro, de 45 anos, a tragédia poderia ter sido evitada caso houvesse uma proteção no trecho. “Precisou morrer gente para fazer isso aqui. Essa simples contenção poderia ter evitado a morte dos meus pais”, afirmou, enquanto equipes da prefeitura trabalhavam na instalação dos blocos de concreto.

Alagamentos frequentes

Moradores da região relatam que os alagamentos são frequentes na avenida e que a ausência de uma barreira já havia provocado outros acidentes no córrego. Eles também criticam o atraso na conclusão das obras do piscinão da avenida Ellis Maas, que deveria ajudar a conter o volume de água e evitar o transbordamento do canal. Segundo informações do site da prefeitura, a obra começou em 2022, com prazo inicial de 36 meses para conclusão, o que não foi cumprido.

Telefonema durante acidente

O acidente ocorreu na tarde de sexta-feira (16). Marcos havia buscado a esposa no trabalho e seguia para casa, no Capão Redondo, quando o trânsito parou na avenida Carlos Caldeira Filho. A chuva intensa dificultava a visibilidade e impediu que o casal percebesse o início do transbordamento do córrego. Testemunhas relataram que o nível da água subiu em cerca de três minutos.

Durante o alagamento, Marcos conseguiu ligar para o filho. “Eu disse: pai, saia do carro, saia do carro”, contou Hugo. A ligação, no entanto, foi interrompida pouco depois, quando o veículo, um Hyundai HB20, começou a ser arrastado pela correnteza. “Eu só voltei a ver meus pais nas imagens que mostravam moradores tentando jogar uma corda para minha mãe”, relatou.

O que diz a Prefeitura

Em nota, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou que a contenção metálica existente no local foi vandalizada e furtada, o que exigiu a revisão do cronograma das obras do piscinão. A Subprefeitura Campo Limpo afirmou ainda que um guarda-corpo foi instalado em 2024 na margem do córrego, mas também acabou sendo danificado e levado.

A prefeitura afirmou ainda que os blocos de concreto instalados neste sábado são uma medida emergencial de proteção. Também informou que a avenida recebe serviços frequentes de zeladoria, intensificados durante o período de chuvas, e que na sexta-feira houve limpeza e retirada de detritos do córrego Morro do S.

Como solução estrutural, a administração municipal diz investir R$ 261,4 milhões na construção de um reservatório de contenção de cheias no Capão Redondo e na canalização de cerca de 3 quilômetros do córrego Água dos Brancos. As intervenções devem beneficiar a bacia do Morro do S e reduzir enchentes na avenida Ellis Maas e no entorno do Parque Santo Dias.

Segundo a prefeitura, a obra tem previsão de conclusão até junho deste ano, mas o cronograma foi revisado devido à necessidade de desmonte controlado de rochas no fundo da estrutura. De acordo com a gestão municipal, a elevada dureza do material, composto principalmente por granito, exigiu mais tempo para a execução dos trabalhos por razões de segurança.

Com informações da Folha




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