Relator da CPI do Crime Organizado diz que Master funcionava como “lavanderia do PCC”

Relator da CPI do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) declarou neste domingo (15) que as investigações do colegiado chegaram em evidências de que o caso do banco Master teria características de lavagem de dinheiro. Entre as origens de recursos ilícitos, o parlamentar citou a organização criminosa PCC e disse que haveria dados comprovando repasses a familiares de ministros do Supremo.
“A gente avança com muito cuidado para não cometer injustiças, mas já é muito evidente que tem ali uma aparente lavanderia. (Há) o uso de vários fundos em cadeia para lavagem de dinheiro de diversas origens, como do PCC, pagamento de autoridades, de servidores públicos de carreira, políticos, e deste grupo criminoso para familiares de ministros”, disse Vieira, em entrevista ao SBT News.
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O ministro ressalvou, no entanto, que a circulação dos recursos do banco Master para as famílias dos magistrados ainda não teria imediatamente caráter “ilícito”, mas seria “moralmente reprovável”. Vieira foi o autor do pedido de criação da “CPI Toga Master”, que tem intenção de iniciar uma investigação direta das relações entre ministros do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso com os desdobramentos do caso.
As suspeitas implicam diretamente o escritório Barci de Moraes, da mulher de Alexandre de Moraes, Viviane, que assinou um contrato com o Master num valor total de R$ 129 milhões. O escritório confirmou ter firmado o contrato, mas negou qualquer defesa realizada para o banco em processos no STF.
“Quando o Master contrata o escritório de advocacia da esposa do Alexandre de Moraes, está contratando um serviço jurídico? Esse escritório prestou serviço correspondente aos valores recebidos? Até o momento, o indicativo é de que não”, declarou Vieira.
Escritório anuncia processo
Nesta segunda-feira, a Folha de S.Paulo noticiou e diversos outros veículos confirmaram a informação de que o escritório ingressou com uma ação judicial contra o senador Alessandro Vieira por conta das suas mais recentes declarações. Moraes sempre negou estas acusações e as trata como um “ataque criminoso” ao STF.
Outro ministro que aparece com vínculos ainda não explicados com o Master é o do ministro Dias Toffoli. Ele confirmou ser o sócio em uma empresa com participação em um resort no Paraná com participação do banco Master. Toffoli não se manifestou sobre a entrevista de domingo, mas, após ter colocado o caso em sigilo máximo quando era relator, se declarou suspeito para julgar novas decisões da ação que julga o escândalo.
