Redução da jornada de trabalho pode impactar 1,5 milhão de empregos, segundo Fiep

Redução da jornada de trabalho pode impactar 1,5 milhão de empregos, segundo Fiep



Um estudo da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), elaborado pela Tendências Consultoria, aponta que a proposta de redução da jornada de trabalho em discussão no Congresso Nacional pode provocar, no curto prazo, queda relevante do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e colocar em risco cerca de 1,5 milhão de empregos formais, com possibilidade de demissões ou migração para a informalidade. Propostas que tramitam no Legislativo têm defendido uma redução das atuais 44 horas semanais para 40 ou 36 horas semanais, o que incluiria ao fim da escala de trabalho 6 x 1, em que o empregado folga apenas 1 dia na semana.

O levantamento foi apresentado nesta terça-feira, 10, em Brasília, durante o seminário “Modernização da jornada de trabalho”, promovido pela Coalizão das Frentes Parlamentares do Setor Produtivo, que reuniu parlamentares, especialistas e representantes de entidades da economia real para discutir formas de conciliar proteção ao trabalhador e competitividade empresarial.

Segundo o estudo, mesmo considerando um ganho de produtividade de 2%, o PIB poderia cair até 3,7% já no primeiro ano de vigência da medida, dependendo do tamanho da redução da jornada. Em cinco anos, a retração poderia chegar a 4,9%. O levantamento também indica que não há garantia de geração de empregos com a mudança e aponta riscos adicionais, como redução de horas contratadas e de produção nas empresas, substituição por trabalhadores com salários menores e aumento da dupla ocupação entre empregados.

O estudo considera apenas impactos sobre o setor privado e não inclui efeitos sobre os cofres públicos, embora destaque que estados e municípios, que contratam serviços terceirizados como limpeza e segurança patrimonial, também podem ser afetados.

A Fiep diz considerar legítimo o debate sobre a escala 6×1 no Congresso, mas defende que mudanças estruturais na jornada de trabalho sejam conduzidas com base técnica, diálogo com o setor produtivo e respeito às diferenças entre setores da indústria, que incluem desde segmentos altamente automatizados até atividades intensivas em mão de obra e com baixa margem de lucro.

Segundo a entidade patronal, uma alteração uniforme poderia elevar custos, reduzir competitividade e investimentos e afetar empregos. A federação também sustenta que a modernização das relações de trabalho deve ocorrer por meio de negociação coletiva e políticas voltadas ao aumento da produtividade, como modernização tecnológica, qualificação profissional, políticas industriais, melhoria do ambiente de negócios, crédito acessível, estabilidade regulatória e simplificação tributária.



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