Quer ser pastor? Há milhões para apoiar a atividade – Notícias de Coimbra
O Governo vai investir cerca de 30 milhões de euros por ano para incentivar o pastoreio em Portugal, uma estratégia que pretende ajudar a reduzir o risco de incêndios florestais e reforçar a gestão do território.
O anúncio foi feito este sábado, 7 de março, pelo secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, durante a inauguração da Festa do Queijo Serra da Estrela, em Oliveira do Hospital.
A ideia passa por valorizar atividades tradicionais como o pastoreio, que ajudam naturalmente a manter as florestas mais limpas. Ao alimentar-se da vegetação, os rebanhos contribuem para reduzir a chamada “carga combustível”, ou seja, a matéria vegetal que pode alimentar incêndios.
“Estamos determinados a trabalhar e a criar todos os mecanismos para podermos alterar este estado de arte”, afirmou Rui Ladeira, recordando os grandes incêndios que atingiram a região nos últimos anos.
Segundo o governante, a estratégia do Executivo assenta em vários pilares, com foco na criação de valor na agricultura e na pecuária, reforçando atividades que também ajudam a proteger a paisagem.
Uma das principais medidas será apoiar quem já trabalha no setor e atrair novos profissionais para a atividade pastoril.
“Quem abraçar esta atividade poderá ter apoio e estabilidade durante cinco anos para garantir rendimento e continuidade”, explicou.
Para concretizar este plano, o Governo prevê uma dotação anual de cerca de 30 milhões de euros, destinada a incentivar o pastoreio e a melhorar a gestão das áreas florestais.
“Queremos reduzir a carga combustível, proteger a floresta e incentivar quem produz”, sublinhou.
Durante a intervenção, Rui Ladeira destacou também outras ferramentas que já estão em funcionamento para reforçar a proteção do território, como as Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP), os Condomínios de Aldeia e programas de apoio à limpeza de terrenos.
No concelho de Oliveira do Hospital existem atualmente oito AIGP, estruturas criadas para melhorar a organização e gestão de áreas florestais mais vulneráveis.
Apesar das medidas, o governante reconheceu que o risco nunca desaparecerá por completo.
“Não vamos acabar com os incêndios, mas queremos garantir que estaremos mais protegidos”, afirmou.
Outro dos programas destacados foi o Floresta Ativa, que apoia diretamente proprietários na limpeza de terrenos. O secretário de Estado revelou ainda que um recente aviso para aquisição de equipamentos destinados a empresas de serviços florestais superou largamente as expectativas.
“Tínhamos uma expectativa de cerca de 100 candidaturas e tivemos mais de 400. São mais de 40 milhões de euros de candidaturas a nível nacional”, revelou.
