Por “todos os meios”. Hungria quer retomar abastecimento de petróleo russo

Por “todos os meios”. Hungria quer retomar abastecimento de petróleo russo


A Hungria utilizará “todas as medidas e todos os meios” ao seu dispor para obter a retoma do abastecimento de petróleo russo através da Ucrânia, declarou esta sexta-feira Viktor Orbán em entrevista à rádio do seu país.
o primeiro-ministro

Vamos suspender o trânsito de mercadorias importantes para a Ucrânia através da Hungria até recebermos a aprovação da Ucrânia para o fornecimento de petróleo“, acrescentou o primeiro-ministro húngaro.

Na quinta-feira à noite, o Governo ucraniano acusou a Hungria de manter sete funcionários de um banco ucraniano como “reféns”, acusando-os de transportar “35 milhões de euros e nove quilos de ouro” da Áustria através da Hungria.

As relações entre a Hungria e a Ucrânia, já tensas há vários anos, têm-se deteriorado ainda mais nos últimA Hungria é membro da União Europeia e da NATO, mas
tem reforçado os seus laços com Moscovo desde a invasão russa da Ucrânia
em 2022.
os meses, enquanto Viktor Orbán faz campanha para a reeleição, com eleições parlamentares marcadas para abril.

O país alega, em privado, querer defender a minoria húngara na Ucrânia.

Viktor Orbán acusa o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de utilizar argumentos falaciosos para atrasar a retoma do fornecimento de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba, cujo troço que atravessa a Ucrânia foi danificado por um ataque aéreo russo em janeiro.

Orbán afirmou que Budapeste obrigaria a Ucrânia, com “instrumentos políticos e financeiros”, a reabrir o oleoduto Druzhba, que transporta petróleo russo para as refinarias húngaras.

Budapeste está já a bloquear o empréstimo de 90 mil milhões de euros da União Europeia à Ucrânia e a adoção de um novo pacote de sanções contra a Rússia.Ucrânia exige libertação dos bancários
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, acusou a Hungria de deter sete funcionários do banco estatal ucraniano de poupança, após uma nova troca de farpas entre os líderes dos dois países.O presidente ucraniano já tinha admoestado o primeiro-ministro húngaro por bloquear um pacote de ajuda europeia.

O ministro ucraniano escreveu na rede social X que os funcionários do Oshchadbank estavam a transportar dinheiro da Áustria de volta à Ucrânia, através da Hungria, quando foram detidos e que, para já, o paradeiro era desconhecido.

Na verdade, estamos a falar da Hungria a fazer reféns e a roubar dinheiro“, escreveu Sybiha. “Se esta é a força anunciada pelo senhor Orbán, então esta é a força de um gangue criminoso. Isto é terrorismo de Estado e extorsão”.

Andrii Sybiha acrescentou que a Ucrânia enviou uma nota oficial exigindo a libertação imediata dos seus cidadãos e iria pedir à União Europeia que “fornecesse uma qualificação clara das ações ilegais da Hungria”.

O Oshchadbank afirmou que um sinal de GPS mostrava que os carros estavam perto de um edifício dos serviços de segurança húngaros em Budapeste. O comunicado referia que os funcionários transportavam 35 milhões de euros e nove quilos de ouro.

Além disso, o banco estatal ucraniano que a operação decorria “em conformidade com as normas internacionais de transporte e os procedimentos alfandegários europeus aplicáveis”.
Tensão prolongada entre Kiev e Budapeste
A tensão entre os dois líderes tem sido elevada durante os quatro anos de guerra da Rússia contra a Ucrânia, com Orbán a manter uma postura firmemente anti intervencionista. A Hungria, membro da União Europeia, mantém relações cordiais com Moscovo.

“Esperamos que uma certa pessoa na UE não continue a bloquear os 90 mil milhões… e que os soldados ucranianos tenham armas”, afifomou Zelensky aos jornalistas em Kiev.

“Caso contrário, daremos o endereço dessa pessoa às nossas Forças Armadas, aos nossos soldados. Que lhe telefonem, falem com ele na sua própria língua”.A Ucrânia depende da ajuda financeira dos parceiros
para cobrir as suas necessidades orçamentais, ao mesmo tempo que atribui
a maior parte dos fundos estatais à defesa.

O veto da Hungria ao pacote de ajuda, bem como as novas sanções da União Europeia contra a Rússia, foram uma resposta ao que o país alega ter sido um corte deliberado no fornecimento de crude russo pelo oleoduto Druzhba, que transporta crude para a Europa.

Kiev afirma que o fluxo de petróleo foi interrompido após um ataque russo às infraestruturas do oleoduto em janeiro e que está a trabalhar para reparar os danos o mais rapidamente possível. Zelensky afirmou na quinta-feira que o oleoduto, da era soviética, poderá estar operacional dentro de um mês e meio.A Hungria e a Eslováquia, os únicos países da União Europeia que ainda
importam petróleo russo, acusam a Ucrânia de atrasar deliberadamente a
retoma do fluxo de petróleo por razões políticas.

Orbán, referindo-se à disputa sobre o oleoduto, afirmou numa conferência em Budapeste que, “gostaria de deixar claro que venceremos, e venceremos com força”.

“Não temos força militar para isso, posso garantir a todos que isso não faz parte dos nossos planos. Mas temos ferramentas políticas e financeiras”, sublinhou o primeiro-ministro húngaro, que enfrenta eleições a 12 de abril e fez da guerra um ponto central da sua campanha.

Zelensky, em declarações posteriores repletas de sarcasmo, disse que a Ucrânia enfrentava ataques mortais da Rússia “e nós devíamos dar petróleo ao pobre Orbán, porque sem ele não ganharia as eleições?”.

Apesar de estar em desvantagem numérica e de armamento, o exército de Kiev retomou território nas últimas semanas, conquistando mais em fevereiro do que perdeu pela primeira vez desde 2023, de acordo com a equipa de análise Black Bird Group, sediada na Finlândia.
As tropas ucranianas estão a repelir os intensos
ataques russos ao longo de vários troços da linha da frente de 1.200
quilómetros, enquanto Kiev enfrenta a pressão dos EUA para garantir a
paz, resistindo às exigências russas de ceder território.

Os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros não conseguiram, este mês, persuadir Budapeste a não punir a Ucrânia pelos atrasos na retoma do oleoduto, que também abastece a Eslováquia, país que faz fronteira com a Ucrânia.

A Eslováquia, cujo primeiro-ministro, Robert Fico, também simpatiza com o Kremlin, afirmou que recusará os pedidos de Kiev para o fornecimento de eletricidade de emergência até que o fluxo de petróleo seja retomado.

c/ agências 





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