Pedreiro e jovem morrem durante ação da PM em baile funk em SP; 5 estão feridos
Vítimas são o pedreiro Francisco Fontenele, de 56 anos, e Kauã Lima, de 22, que não resistiram aos ferimentos
Um pedreiro de 56 anos e um jovem de 22 morreram, na manhã deste sábado, 14, durante uma troca de tiros em uma ação da Polícia Militar em um baile funk no Jardim Macedônia, região do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. Outras cinco pessoas ficaram feridas.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os policiais estavam em patrulhamento na Rua Póvoa de Varzim, nas proximidades de um baile funk, quando foram recebidos a tiros por um homem que pilotava uma motocicleta. Neste momento, os PMs teriam passado a trocar tiros.
O suspeito abandonou a motocicleta e fugiu a pé em direção a uma área de vielas. Na sequência, outros homens armados passaram a atirar na equipe policial, que revidou novamente. Durante a ocorrência, sete pessoas foram atingidas. Segundo a TV Globo, entre elas, o pedreiro Francisco Fontenele, de 56 anos, e Kauã Lima, de 22, que não resistiram aos ferimentos.
À emissora, Milena dos Santos Fontenele, filha de Francisco, contou que o pai saía de casa por volta das 5h30 para ir trabalhar, quando foi atingido pelo disparo no abdômen. “Parou no bar para comprar um cigarro, nisso que ele pegou o cigarro, foi alvejado por uma bala de fuzil”, declarou.
O homem era pedreiro e trabalhava há 20 anos na mesma empresa. Ela relatou que o pai ficou à espera de atendimento por cerca de uma hora. Em um vídeo gravado por ela, Francisco aparece deitado, cercado por policiais. “Não querem deixar tirar o meu pai daqui. Foi baleado no abdômen”, diz ela na gravação.
Momentos depois, um morador da região registrou a vítima sendo carregada por policiais e parentes. “De tanto que a população gritou, encheu de gente, porque todo mundo conhece meu pai e sabe que ele é uma vítima e é trabalhador, eles deixaram [socorrer]. A gente pegou o carro, colocou meu pai e chegamos aqui no Pronto Socorro do Macedônia. Chegou lá, meu pai já estava morto”, afirmou Milena.
Ainda segundo a TV, embora os soldados afirmem que foram recebidos com tiros, os moradores da região e parentes das vítimas dizem que os mesmo policiais subiram atirando, no meio da população.
“Meu pai foi baleado dentro da favela, o meu pai não estava no fluxo, não estava armado. Meu pai não aguenta correr porque ele tem oito hérnias de disco. Dentro da viela não tem baile funk, não tem bagunça. O meu pai foi baleado dentro da favela, não foi baleado no baile funk”, desabafou.
Tanto Francisco quanto Kauã, que foi baleado no peito, foram chegaram a ser socorridos para o Pronto Socorro de Macedônia, mas não resistiram.
Os demais baleados também foram encaminhados, além do pronto socorro do bairro, para o Hospital Geral do Pirajussara e Hospital do Campo Limpo. A SSP afirma que os policiais acionaram o socorro especializado para atendimento dos feridos, conforme protocolo operacional, que prioriza equipes médicas qualificadas.
A Pasta também declarou que o sétimo ferido por arma de fogo foi localizado posteriormente no Hospital Universitário da USP. Ele é suspeito de ser o piloto da motocicleta que fez o primeiro disparo contra os policiais militares. Uma das outras seis pessoas atingidas era passageira do mesmo veículo.
“No local da ocorrência foram apreendidos um revólver calibre .32, munições de pelo menos duas armas e a motocicleta com sinais identificadores suprimidos – sem placas e com numerações de motor e chassi raspados. Toda a ação foi registrada pelas Câmeras Operacionais Portáteis (COP) utilizadas pelos policiais militares”, afirmou a Secretaria.
O caso foi registrado no 47º Distrito Policial (Capão Redondo), com acompanhamento do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
