Nova espécie de planta da Mata Atlântica é descoberta no Brasil, mas já corre risco de extinção

Uma nova espécie de planta da Mata Atlântica foi identificada por pesquisadores na região serrana do Espírito Santo. Batizada de Philodendron quartziticola, a planta pertence à família Araceae, grupo que inclui espécies conhecidas como taioba, inhame, antúrio e jiboia.
A descoberta foi publicada na revista científica Phytotaxa e resulta de pesquisas conduzidas por cientistas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, do Instituto Nacional da Mata Atlântica e da Universidade Federal do Espírito Santo.
O achado ocorreu durante estudos em áreas chamadas Morros de Sal, formações raras compostas por solos quartzíticos claros, arenosos e pobres em nutrientes. Esses ambientes aparecem como pequenas manchas de solo branco em meio à floresta e abrigam plantas altamente especializadas.
Foi nesse cenário que o pesquisador Alexandre Magno encontrou a planta que chamou atenção pelas folhas longas e estreitas e pela coloração avermelhada intensa na face inferior.
Após novas coletas e análises comparativas com espécies já conhecidas, os pesquisadores confirmaram que se tratava de uma espécie inédita para a ciência.
Habitat restrito e ameaças
O Philodendron quartziticola vive exclusivamente nesses solos quartzíticos da serra capixaba. Diferente de outros filodendros que crescem no topo das árvores, a nova espécie nasce no solo e se desenvolve como trepadeira, subindo pelos troncos sem alcançar grandes alturas.
Apesar da importância científica, o diagnóstico de conservação preocupa. A planta já foi classificada como “Em Perigo” de extinção, segundo critérios internacionais.
Entre as ameaças estão extração de areia quartzítica, abertura de estradas, silvicultura com eucalipto e expansão imobiliária associada ao turismo de montanha.
Os pesquisadores também destacam a proximidade com o Philodendron spiritus-sancti, espécie igualmente endêmica do Espírito Santo e considerada uma das plantas mais raras e valiosas do mundo.
Para os cientistas, a descoberta mostra que a Mata Atlântica ainda guarda espécies desconhecidas, mesmo em regiões já estudadas. Ao mesmo tempo, reforça um alerta: descobrir novas plantas precisa caminhar junto com ações de conservação para garantir sua sobrevivência.
