Nave com 600 quilos regressou à Terra após 14 anos no espaço – Observador

Nave com 600 quilos regressou à Terra após 14 anos no espaço – Observador



Não se sabia o ‘onde’, apenas o ‘quando’. Depois de 14 anos no espaço, esperava-se que entre terça e quarta-feira a nave Van Allen Probe A da NASA, com 600 Kg, reentrasse na atmosfera terrestre e que alguns dos seus componentes sobrevivessem à difícil viagem. O local onde deveria cair era, mesmo para agência espacial norte-americana, um mistério. Esta quarta-feira chegou a confirmação: a nave entrou em contacto com a atmosfera pelas 10h30 e caiu no Oceano Pacífico.

“A Força Espacial dos EUA confirmou que a nave Van Allen Probe reentrou a atmosfera sobre a região leste do Oceano Pacífico”, lê-se num comunicado da agência espacial norte-americana. “A NASA esperava que a maior parte da nave se desintegrasse ao entrar na atmosfera, mas é possível que alguns componentes tenham sobrevivido à reentrada”, acrescenta.

Após 14 anos no espaço, satélite da NASA com 600 quilos volta à Terra — e não se sabe onde vai cair

A nave e a sua gémea — Van Allen Probe B — foram desenhadas para “voar pelos cinturões de radiação Van Allen, anéis de partículas carregadas aprisionadas pelo campo magnético da terra”. O objetivo era compreender como funcionavam os cinturões, que protegem a Terra da radiação cósmica, de tempestades solares e do fluxo constante de vento solar, prejudiciais para o ser humano e para as tecnologias.

As Van Allen Probe A e B foram lançadas a 30 de agosto de 2012 para o que se previa ser uma missão de dois anos. No entanto, as naves acabaram por recolher “dados sem precedentes” sobre os dois cinturões de radiação permanentes da Terra durante quase sete anos. A NASA acabou a missão depois de as reservas de combustíveis das naves terem acabado e estas terem deixado de ser capazes de se orientar em direção ao sol.

Uma das principais descobertas das naves Van Allen foi a de que existe um terceiro cinturão de radiação transitório, que se pode formar durante períodos de intensa atividade solar. A NASA destaca que ainda hoje os dados recolhidos ajudam a compreender o clima espacial e os seus efeitos. “Ao analisar dados de arquivo da missão, os cientistas estudam os cinturões de radiação que circundam a Terra, que são essenciais para prever como a atividade solar impacta satélites, astronautas e até mesmo sistemas terrestres, como comunicações, navegação e redes elétricas”, nota.

A NASA chegou a estimar que o satélite regressava à Terra em 2034. No entanto, os cálculos ficaram sem efeito porque “foram feitos antes do ciclo solar atual, que se revelou muito mais ativo do que o esperado” e acabou por alterar as previsões. Chegou já esta quarta-feira, deixando para trás a gémea. Essa sim só devera reentrar na atmosfera terrestre em 2030.





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