Moro vai a Sobral para atacar Ciro Gomes e recicla fantasma da Lava Jato em palanque da direita

Moro vai a Sobral para atacar Ciro Gomes e recicla fantasma da Lava Jato em palanque da direita


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  • Senator Sergio Moro visitou Sobral (CE) no sábado (14) para evento de lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão ao governo do Ceará.
  • Em discurso, Moro criticou Ciro Gomes, chamando-o de “bufão” e associando-o ao PT e ao crime organizado.
  • O ex-juiz usou uma declaração de 2017 de Ciro, que teria dito que ele seria “recebido com bala” na cidade, como instrumento de provocação política.
  • A estratégia visa fortalecer a pré-candidatura de Girão e reposicionar Moro como referência da direita nacional em ano pré-eleitoral de 2026.

O senador Sergio Moro (União-PR) foi a Sobral neste sábado (14) e usou o palco de um evento político de Eduardo Girão (Novo) para atacar Ciro Gomes e reavivar, em pleno Ceará, a retórica que marcou sua trajetória na Lava Jato. Diante de apoiadores, Moro afirmou que o ex-ministro teria dito que ele seria “recebido com bala” caso fosse à cidade e, em tom de provocação, declarou: “Pois bem, tô aqui”.

A fala foi feita durante agenda de lançamento da pré-candidatura de Girão ao governo do Ceará. No discurso, Moro disse não se intimidar diante de “valentões”, chamou Ciro de “bufão” e afirmou que o senador cearense seria o “único representante da direita” no estado. O ex-juiz ainda tentou associar o adversário ao PT e ao crime organizado, num discurso moldado para acirrar a disputa política local.

O episódio resgata um confronto que remonta a 2017, quando Ciro, no auge da escalada da Lava Jato, reagiu duramente a ações conduzidas por Moro. A declaração usada agora pelo senador tem origem naquele período de radicalização política e volta a circular num contexto muito diferente: não mais como reação a abusos atribuídos à operação, mas como peça de palanque em uma disputa antecipada de 2026.

Moro entra no tabuleiro do Ceará

A escolha de Sobral deu ao movimento um peso simbólico evidente. A cidade é um dos principais redutos políticos dos Ferreira Gomes, e a presença de Moro ali, ao lado de Girão, funcionou como gesto calculado de enfrentamento. Mais do que prestigiar um aliado, o senador levou ao interior cearense um discurso de confronto que tenta recolocar seu nome no centro da direita nacional.

Ao transformar uma fala de quase uma década atrás em instrumento de agitação política, Moro repete a lógica que o projetou nacionalmente: a personalização do conflito, o apelo à tensão e a exploração de inimigos públicos como método de sobrevivência no debate político. Em vez de apresentar propostas para o Ceará, preferiu apostar na encenação de um duelo com Ciro em pleno território do ex-ministro.

O palanque de Girão

A cena também interessa diretamente à pré-campanha de Eduardo Girão. Ao trazer Moro para Sobral, o senador cearense tenta nacionalizar sua candidatura e colar sua imagem a uma direita que ainda busca se reorganizar no estado. O evento serviu, assim, para unir dois movimentos: de um lado, Girão em busca de musculatura eleitoral; de outro, Moro à procura de um novo palanque para reviver o personagem que o tornou conhecido no país.

O resultado foi uma dobradinha de provocação e cálculo político. Girão ganhou visibilidade com a presença de um nome de projeção nacional. Moro, por sua vez, encontrou no Ceará mais uma oportunidade para reciclar o discurso lavajatista e posar como alvo de adversários que, segundo ele, tentariam intimidá-lo.

Velha fórmula, novo palco

A passagem de Moro por Sobral mostra que o ex-juiz segue apostando na mesma fórmula que marcou sua carreira pública: confronto direto, memória seletiva e uso político de episódios do passado. No Ceará, essa estratégia apareceu em estado bruto. Em vez de debate programático, o que se viu foi a tentativa de reencenar um embate antigo para produzir impacto eleitoral imediato.

No reduto dos Ferreira Gomes, Moro não foi apenas prestigiar Girão. Foi também tentar ressuscitar, no Nordeste e em ano pré-eleitoral, o personagem da Lava Jato que o país conhece bem.




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