Maior artilheira do Santos, Ketlen cita medo e apoio durante gravidez
Maior artilheira da história do Santos, Ketlen viveu em 2025 um dos capítulos mais marcantes de sua carreira. A atacante treinou durante a gestação e permaneceu em atividade até o oitavo mês antes de iniciar a licença-maternidade.
Em entrevista à CNN, a história ganha destaque no Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), ao reunir dois universos que muitas atletas ainda veem como incompatíveis: maternidade e futebol profissional.
Ketlen contou que a descoberta da gravidez trouxe alegria, mas também medo sobre o futuro da carreira.
“Foi um misto de emoções. Primeiro uma alegria muito grande de poder ser mãe, que sempre foi meu sonho. Mas ao mesmo tempo veio o medo do que iria acontecer, se eu teria que parar a minha carreira”, afirmou.
A atacante disse que passou noites sem dormir antes de comunicar a notícia ao clube.
“Eu não dormi na noite da descoberta. Ficava pensando: ‘Meu Deus, será que o futebol acabou para mim?’”, contou.
Segundo ela, a reação da comissão técnica foi decisiva para atravessar o momento com tranquilidade.
“Quando eu contei para a comissão eu estava muito nervosa. Entrei na sala e só consegui falar: ‘Gente, estou grávida’. Eu só chorava. Mas a reação foi totalmente ao contrário do que eu imaginava. Todo mundo se emocionou e me deu muito apoio”, disse.
Abraço de Marcelo Teixeira
O suporte também veio da diretoria do clube. Ketlen lembra da conversa que teve com o presidente do Santos após comunicar a gravidez.
“O presidente me mandou mensagem e veio conversar comigo. Ele falou para eu ficar tranquila, que o Santos ia me ajudar de todas as formas”, afirmou.
A atacante diz que o gesto foi fundamental para que pudesse viver a gestação com mais segurança.
“Ele me deu um abraço que foi um alívio para mim naquele momento. Eu fiquei muito mais tranquila”, contou.
A atacante afirma que recebeu acompanhamento constante durante a gestação.
“A médica falou que tudo que eu fiz no primeiro mês eu poderia fazer até o oitavo ou até o nono mês. Então eu segui treinando com todas as orientações, sempre monitorando a frequência cardíaca”, explicou.
Fazendo história
Com o passar dos meses, Ketlen percebeu que vivia um momento incomum no esporte.
“Quando eu estava no oitavo mês e todo mundo perguntava como eu conseguia treinar com aquela barriga, eu percebi que era algo histórico”, afirmou.
A atacante acredita que a experiência pode abrir caminho para outras jogadoras.
“A gente que é atleta muitas vezes tem que escolher entre ser mãe e ser atleta. Eu tive que parar por um período, mas espero que isso abra portas para outras meninas verem que é possível ser mãe e continuar jogando”, disse.
Para ela, a volta aos gramados terá um significado especial.
“Poder entrar em campo e saber que meu filho está ali assistindo vai ser uma das maiores realizações da minha vida.”
