Lula impulsiona parcerias comerciais com Coreia do Sul em fórum em Seul

Lula impulsiona parcerias comerciais com Coreia do Sul em fórum em Seul


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta segunda-feira (23 de fevereiro), da cerimônia de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, em Seul. O evento reuniu autoridades e lideranças empresariais de ambos os países para debater desafios e oportunidades em setores estratégicos, como economia criativa, tecnologia, alimentos, indústria farmacêutica e agricultura.

Em seu discurso, Lula enfatizou os fortes laços humanos e vínculos empresariais entre Brasil e Coreia do Sul, destacando a importância do diálogo permanente entre governantes, trabalhadores e empregadores para uma economia forte e inclusiva. Ele mencionou a origem operária de ambos os presidentes atuais como simbólico e defendeu o fim da jornada de trabalho de seis por um no Brasil, garantindo dois dias de descanso semanal, graças à produtividade impulsionada pela tecnologia.

Lula afirmou que a confiança e a cooperação, exemplificadas pela relação bilateral, são a melhor resposta ao uso do comércio como arma, promovendo negociações contra o protecionismo. O presidente enalteceu a competitividade do agronegócio brasileiro, citando a maior safra da história em 2025, com 350 milhões de toneladas de grãos, e expressou interesse em acessar o mercado coreano de carne bovina, adaptando-a ao bulgogi tradicional. Isso poderia levar à instalação de frigoríficos brasileiros na Coreia.

Ele ponderou sobre a necessidade de diversificação econômica no Brasil, especialmente em tempos de turbulência global, vendo a Coreia como parceiro estratégico. Lula destacou investimentos coreanos no Brasil, como os de Samsung, Hyundai e LG, totalizando nove bilhões de dólares, o quarto maior da Ásia, com potencial de crescimento. Políticas públicas de sua gestão, como o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), o Programa Nova Indústria Brasil (NIB), o Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) e o Plano de Transformação Ecológica, foram citadas como incentivos a investimentos estrangeiros, oferecendo segurança jurídica e estabilidade.

No setor de mineração, Lula apontou oportunidades em minerais críticos, essenciais para semicondutores e baterias, buscando parcerias para agregar valor e produzir tecnologia no Brasil, em vez de apenas exportar matérias-primas.

O presidente destacou lições do modelo coreano: nos anos 1960, o PIB per capita coreano era menos da metade do brasileiro, hoje é três vezes maior; a produção industrial se inverteu desde os anos 1980; e, nos 1990, enquanto o Brasil adotou neoliberalismo, a Coreia investiu em políticas públicas e educação. Lula enfatizou que nenhum país atrasado na industrialização subiu sem intervenção estatal robusta.

Na indústria farmacêutica, ele mencionou a ampliação de pesquisas na Coreia e avanços brasileiros, como o laboratório de biossegurança Órion, conectado a um acelerador de partículas, e cooperações com a Fiocruz para fabricar vacinas e fármacos conjuntamente.

No aeroespacial, Lula citou a start-up coreana Innospace auxiliando o Centro de Lançamento de Alcântara, prevendo operação de foguetes sul-coreanos no Brasil e colaboração entre agências espaciais, incluindo compartilhamento de dados de satélites e exploração lunar.

Lula reforçou o papel da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) na identificação de oportunidades para produtos brasileiros na Coreia. A corrente de comércio bilateral é de cerca de 11 bilhões de dólares, aquém do recorde de 15 bilhões em 2011. Um acordo de cooperação comercial e integração produtiva foi celebrado, focando em cooperação industrial, tecnológica e agrícola, com reuniões regulares de ministérios para fortalecer relações econômicas, incluindo cadeias de suprimentos resilientes, minerais estratégicos, indústrias sustentáveis e audiovisual.



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