Lula fala em produzir armas de dissuasão diante da possibilidade de invasão dos EUA ao Brasil

Lula fala em produzir armas de dissuasão diante da possibilidade de invasão dos EUA ao Brasil


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  • Lula defendeu que o Brasil desenvolva armas de dissuasão para se proteger de possíveis invasões militares, durante visita do presidente sul-africano ao Palácio do Planalto na segunda-feira (9).
  • A declaração ocorre após o governo de Donald Trump preparar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, o que poderia justificar intervenções armadas no Brasil.
  • O presidente brasileiro propôs parceria com a África do Sul para produção conjunta de armamentos, criticando a dependência das indústrias bélicas internacionais.
  • O ministro da Defesa brasileiro se reunirá com a ministra da Defesa sul-africana para discutir a aproximação entre os dois países na área de defesa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o Brasil reforce sua capacidade de defesa e desenvolva armamentos de dissuasão diante de possíveis ameaças de invasão militar ao país. A declaração foi feita nesta segunda-feira (9), durante a visita de Estado do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, ao Palácio do Planalto.

A fala ocorre em meio ao aumento das tensões internacionais após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Também surge logo após a notícia de que o governo de Donald Trump deve passar a classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, como organizações terroristas internacionais — medida que poderia ser usada para justificar uma eventual intervenção armada no país.

“Presidente Ramaphosa, uma coisa importante. Aqui, na América do Sul, nós nos colocamos como uma região de paz. Aqui ninguém tem bomba nuclear, aqui ninguém tem bomba atômica, aqui os nossos drones são para agricultura, para fins de tecnologia e não para guerra. Então nós pensamos em defesa como dissuasão, mas eu não sei se o companheiro Ramaphosa percebe que, se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, disse Lula ao lado do presidente sul-africano.

Lula defendeu que o Brasil, em parceria com a África do Sul, produza suas próprias armas, em detrimento das grandes indústrias bélicas internacionais.

“Então, essa é uma coisa que o Brasil tem necessidade similar à necessidade da África do Sul e que, portanto, nós precisamos juntar o nosso potencial e ver o que a gente pode produzir junto, construir junto. Não precisamos ficar comprando dos senhores das armas, nós poderemos produzir. O que precisa é nós nos convencermos que ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos”, pontuou.

O presidente brasileiro ainda anunciou que o ministro da Defesa, José Múcio, se reuniria com a ministra da Defesa sul-africana para discutir a questão. “Espero que conversem bastante sobre a aproximação do Brasil e da África do Sul na questão da defesa”, afirmou.

Veja vídeo:

Invasão dos EUA ao Brasil? Entenda

O governo dos Estados Unidos prepara a classificação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida, que pode ser anunciada nos próximos dias pelo Departamento de Estado, abre caminho para sanções econômicas e levanta preocupações sobre a possibilidade de operações militares norte-americanas que atinjam território brasileiro.

Segundo informações divulgadas inicialmente pela colunista Mariana Sanches, do UOL, e confirmadas por diferentes fontes ligadas ao governo dos EUA, o processo técnico que sustenta a decisão já teria sido concluído dentro da administração norte-americana. Restariam agora etapas políticas e burocráticas para formalizar a inclusão das facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

A classificação implica uma série de medidas automáticas por parte de Washington. Entre elas estão o congelamento de ativos de integrantes das organizações sob jurisdição norte-americana, a exclusão dessas redes do sistema financeiro dos Estados Unidos e a proibição de qualquer forma de “apoio material” por cidadãos ou empresas do país.

Além das sanções financeiras, o enquadramento traz consequências diplomáticas e estratégicas. Ao considerar grupos criminosos como organizações terroristas, o governo norte-americano passa a tratar suas bases e estruturas operacionais como potenciais alvos legítimos de ações militares, inclusive fora de seu território — o que gera apreensão em autoridades brasileiras.

No Brasil, o tema já chegou ao Palácio do Planalto. O governo brasileiro foi alertado sobre o avanço da proposta e tenta reabrir canais de diálogo com Washington. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, teria sido informado sobre a discussão durante agenda recente na capital norte-americana e buscava contato com o secretário de Estado, Marco Rubio, para tratar do assunto.

Diplomatas avaliam que a medida pode comprometer tentativas recentes de aproximação entre os dois governos. O combate ao crime organizado vinha sendo tratado como uma possível pauta de cooperação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em um encontro que chegou a ser cogitado para ocorrer entre março e abril. A adoção unilateral da classificação, no entanto, pode tensionar a relação bilateral.

Nos bastidores, a discussão sobre o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas é conduzida há meses dentro da administração norte-americana. Participam do debate autoridades como o subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Christopher Landau, além de integrantes da equipe de política antidrogas do governo.

A iniciativa também tem implicações para empresas e cidadãos. Companhias que atuam em regiões onde essas organizações operam podem passar a enfrentar riscos legais ampliados, incluindo sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). O órgão já alertou empresas sobre os riscos de realizar negócios em países onde cartéis classificados como terroristas estão presentes.

A possível designação também se insere em uma estratégia mais ampla da administração Trump de tratar o narcotráfico como uma ameaça equivalente ao terrorismo internacional. Em discursos recentes, o presidente norte-americano chegou a mencionar a possibilidade de realizar ataques contra cartéis fora do território dos Estados Unidos, uma abordagem que especialistas apontam como juridicamente controversa.

Se confirmada, a inclusão do PCC e do CV colocaria as facções brasileiras em uma lista que já reúne organizações criminosas de outros países da América Latina, como cartéis mexicanos e grupos armados da Colômbia e do Haiti.

Autoridades brasileiras temem que a decisão seja usada como instrumento de pressão política sobre o país e amplie o debate sobre a presença ou atuação direta de forças norte-americanas na região.






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