Lula defende estoque de petróleo para ‘não ser vítima’ de guerra e greve

Lula defende estoque de petróleo para ‘não ser vítima’ de guerra e greve


LUCAS BORGES TEIXEIRA
UOL/FOLHAPRESS

O presidente Lula (PT) defendeu nesta sexta-feira (20) que o Brasil crie um estoque regulador de petróleo como uma garantia para ficar menos exposto frente a crises internacionais, como esta causada pela guerra no Oriente Médio.

“É uma coisa estratégica que a Petrobras e o governo têm que pensar”, afirmou Lula. “Nós precisamos, ao longo do tempo, construir um estoque regulador para a gente não ser vítima do que está acontecendo hoje”, disse, em discurso, se dirigindo à presidente da petrolífera, Magda Chambriard, em visita às instalações da Refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG).

Um estoque regulador é uma reserva interna que o país concentra. Geralmente, ela é usada para casos extremos, como guerras ou problemas para importação. Atualmente, países como Japão e China e a AIE (Agência Internacional de Energia) são grandes concentradores da commodity.

O argumento do presidente é de que não há como saber quanto tempo a guerra vai durar e, consequentemente, o quanto poderá impactar na economia brasileira. “E se essa guerra durar 30 dias? E se essa guerra durar 40 dias? E se o Irã não deixar sair nenhum barril de petróleo do Estreito de Hormuz?”, questionou o presidente. Entre 25% e 20% de todo o petróleo produzido no mundo passa pelo canal no Oriente Médio.

Lula também voltou a ligar a falta de autonomia do governo com os preços à privatização da BR Distribuidora. A venda, por R$ 9,6 bilhões, ocorreu durante o governo Jair Bolsonaro (PL), com o processo iniciado em 2019 e finalizado em 2021.

A principal preocupação de Lula é o efeito inflacionário, ainda mais em ano eleitoral. O diesel acumulou alta de 18,86% desde o fim de fevereiro no Brasil por causa da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que afetou o mercado global de petróleo.

O governo tem tomado medidas para tentar segurar a alta e evitar uma greve de caminhoneiros. Na quarta (18), o Ministério dos Transportes anunciou que as empresas que não cumprirem a tabela mínima de frete poderão perder a licença de contratar e fazer transportes no Brasil e, na semana passada, zerou os impostos PIS e Cofins do preço do diesel —duas das maiores demandas da categoria.

A greve foi descartada. Lideranças se reuniram ontem com o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, e decidiram não aderir. Como o UOL mostrou, o governo tem visto influência bolsonarista na movimentação.



Source link

Postagens Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *