José Dirceu admite possibilidade de impeachment no STF, mas critica foco eleitoral

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) admitiu a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), atribuindo aos senadores o dever de atuar em caso de cometimento de crimes. Apesar disso, o ex-deputado federal acredita que o foco nesta pauta pode frustrar os planos da direita de ter maioria no Senado.
“Se algum ministro do STF cometeu, e for comprovado no devido processo legal, um crime que pode levá-lo a impeachment, isso é um dever de todo cidadão, de todo parlamentar que tem o poder para tanto, que é o Senado da República, de tomar as devidas medidas, mas a pauta do país, ou seja, a agenda para se eleger senador, não pode ser o Supremo”, avaliou Dirceu, em entrevista à CNN Brasil concedida nesta quinta-feira (12).
A declaração ocorre em um contexto de gradual mudança de discurso na esquerda. No último sábado (7), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou como nítida a necessidade de uma reforma institucional. “Não uma reforma que enfraqueça ou destrua a democracia, mas uma reforma que aproxime os poderes do povo brasileiro”, explicou, classificando tal reforma como prioridade da legenda.
As falas ocorrem em meio às descobertas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que reforçam a demonstração de uma relação de proximidade com a cúpula dos poderes, especialmente dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A crise fez com que Toffoli se afastasse, até o momento, de três processos relacionados ao tema, incluindo o inquérito principal, que passou ao gabinete de André Mendonça.
Em paralelo às conclusões da Operação Compliance Zero e aos pedidos de impeachment, o presidente da Corte, Edson Fachin, tenta resgatar a credibilidade do órgão ao propor um código de ética. A ministra Cármen Lúcia foi escolhida como relatora, e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem buscado espaço para incluir, neste código, reivindicações já antigas, como a utilização do plenário virtual apenas como exceção. O modelo não permite que os advogados falem diretamente aos julgadores, transformando as sustentações orais em vídeos que não possuem confirmação de visualização.
