Irã confirma morte de Ali Larijani, chefe da Segurança Nacional; conheça trajetória
O governo iraniano confirmou a morte do chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, Ali Larijani, durante ataques aéreos ocorridos na madrugada desta terça-feira (17).
Aos 68 anos, Larijani era um dos nomes mais influentes da política iraniana e estava no comando do país, desde o assassinato do líder supremo, o aitolá Ali Khamenei, ocorrido no primeiro dia da ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Antes de morrer, Khamenei lhe confiou a responsabilidade pela segurança nacional e a missão de garantir a sobrevivência do Estado, em caso de ataques ou assassinatos. Desde 2025, ele estava à frente da Segurança Nacional, desenvolvendo um papel central na condução estratégica do conflito.
Sua última aparição pública ocorreu na sexta-feira (13), durante as manifestações do Dia de Al-Quds, onde ele comentou os ataques contra a marcha: “quem é forte não bombardearia manifestações”.
No mesmo dia, Larijani postou nas redes sociais uma crítica ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que ele “não compreende que o povo iraniano é uma nação corajosa, uma nação forte, uma nação determinada”.
“Quanto mais ele pressionar, mais forte se tornará a determinação da nação”, disse. Os Estados Unidos chegaram a oferecer recompensas de até US$ 10 milhões por informações sobre Larijani e outras autoridades das forças iranianas.
Quem foi Ali Larijani
Nascido em 1958, em Najaf, no Iraque, a trajetória pública de Larijani começa com seu ingresso na Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), após a Revolução Iraniana que derrubou a monarquia no país, em 1979.
No novo governo, Larijani atuou como vice-ministro do trabalho e assuntos sociais e, também, vice-ministro de tecnologia da informação e comunicações. Em março de 1994, ele assumiu a chefia da Radiodifusão da República Islâmica do Irã (IRIB), onde permaneceu até 2004.
Naquele ano, Larijani se tornou conselheiro de segurança do Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, com quem desenvolveu um forte laço de amizade. Foi candidato à presidência do Irã, em 2005, obtendo o sexto lugar.
Entre 2005 e 2007, ele assumiu o Conselho Supremo de Segurança Nacional, tornando-se um dos principais estrategistas da política de defesa e nuclear do país.
Um ano depois, Larijani ingressou no Parlamento iraniano, tornando-se presidente da Câmara durante três mandatos consecutivos. Em maio de 2021 e em 2024, ele tentou disputar a presidência, mas foi desmotivado por decisão do Conselho dos Guardiões.
Em 2025, em meio aos ataques contra o país, ele foi chamado para retornar ao Conselho de Segurança Nacional, onde permaneceu até esta terça-feira (17).
Carreira intelectual
Formado pelo seminário de Qom e mestre e doutor em filosofia ocidental pela Universidade de Teerã, Larijani tem livros publicados sobre os pensadores Immanuel Kant, Saul Kripke e David Lewis. Ele também era membro do corpo docente da Escola de Literatura e Humanidades da Universidade de Teerã.
Filho do aiatolá Mirza Hashem Amoli e egresso de uma das famílias mais importantes do Irã, Larijani era casado com Farideh Motahhari, filha de um dos principais pensadores da Revolução Islâmica, Morteza Motahari. Eles tiveram quatro filhos, um deles faleceu com Larijani durante o ataque.
Gholamreza Soleimani
Também nesta terça-feira, o governo do Irã confirmou, através de um comunicado oficial, o falecimento do major-general Gholamreza Soleimani, chefe da Organização Basij Mostazafin, que forma parte do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, por sua sigla em inglês).
Segundo o comunicado, difundido pela agência local Tasnim, Soleimani teria sido vítima de recentes bombardeios lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra o território iraniano.
“O glorioso e injusto martírio do major-general Gholamreza Soleimani não é simplesmente a perda de um comandante, mas também a perda de um apoio inspirador e de uma liderança de campo para a grande família Basij, que durante anos guiou o caminho do movimento com visão estratégica, espírito jihadista e profunda crença no papel do povo”, diz a nota.
Apesar de ter o mesmo sobrenome, Gholamreza não tem parentesco com Qasem Soleimani, general iraniano que era comandante da Força Quds quando foi assassinado pelos Estados Unidos em janeiro de 2020.
