Irã avisa que ‘esconderijos’ dos EUA nos Emirados Árabes Unidos são alvos legítimos, após ataque estadunidense a centro petrolífero
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou neste sábado (14) que ‘esconderijos’ dos Estados Unidos nos Emirados Árabes Unidos (EAU) são alvos ‘legítimos‘. A declaração foi feita após bombardeios estadunidenses contra a ilha de Kharg, o principal centro petrolífero do Irã.
Em um comunicado divulgado pela agência de notícias semioficial iraniana Mehr, um oficial do quartel-general central Khatam-al Anbiya, que coordena o exército e a IRGC, ordenou aos residentes dos Emirados Árabes Unidos que se mantivessem afastados de portos, docas e áreas militares estadunidenses “para evitar qualquer dano”.
“Declaramos aos líderes dos Emirados que a República Islâmica do Irã considera seu direito legítimo, em defesa de sua soberania e território nacionais, atacar a origem dos lançamentos de mísseis inimigos americanos contra os portos, docas e esconderijos de militares americanos em algumas cidades dos Emirados.”
Um funcionário iraniano declarou às agências de notícias do Irã IRNA e Tasnim que as exportações da ilha de Kharg estão “em pleno andamento” e que as atividades das companhias petrolíferas no local continuam sem interrupção. A ilha de Kharg é responsável por mais de 90% das exportações de petróleo do Irã.
O fim da moderação
O presidente Donald Trump garantiu, na noite desta sexta-feira (13), que os Estados Unidos “aniquilaram” alvos militares na ilha de Kharg, o principal centro petrolífero do Irã, e ameaçou atacar ali as infraestruturas de produção de petróleo se Teerã continuar bloqueando o estratégico estreito de Ormuz.
“Decidi NÃO demolir a infraestrutura petrolífera da ilha. No entanto, se o Irã, ou qualquer outro, fizer algo para interferir na passagem livre e segura de navios pelo estreito de Ormuz, reconsiderarei minha decisão imediatamente”, advertiu o líder republicano, nas redes sociais.
Trump anunciou que o exército estadunidense “realizou um dos bombardeios mais poderosos da História do Oriente Médio e aniquilou completamente todos os alvos MILITARES na joia da coroa do Irã”.
No dia anterior, o presidente do Parlamento iraniano, o influente Mohammad Bagher Ghalibaf, havia advertido que a república islâmica “abandonará toda moderação” se Estados Unidos e Israel atacarem suas ilhas do Golfo.
Kharg, uma faixa de terra coberta de arbustos situada ao norte do Golfo, a cerca de 30 quilômetros da costa, abriga o maior terminal de exportação de petróleo do Irã.
Sem trégua
Após duas semanas de guerra – que não fizeram o Irã ceder – a inflexibilidade das partes beligerantes, que neste sábado pela manhã continuam com seus ataques, não indica qualquer trégua.
Os ataques de EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro desencadearam um conflito envolvendo, ao menos, 17 países. O número de mortos neste sábado (14) chega a 1.444 no Irã, 773 no Líbano, 14 em Israel, seis nos Emirados Árabes Unidos e no Kwait, 26 no Iraque, três em Omã e dois tanto na Arábia Saudita como no Bahrein. Entre as forças estadunidenses, foram registradas oficialmente 11 mortes.
O Irã afirma que os ataques israelo-estadunidenses atingiram 43 mil unidades civis, das quais 36.500 eram residências. Cerca de 10 mil delas, apenas na capital Teerã.
Entre os atingidos, 43 unidades de emergência, 32 ambulâncias e 120 escolas. Pelo menos 223 mulheres foram mortas e o número de estudantes e professores mortos subiu para 206.
O Irã também prossegue com suas represálias aéreas contra os países vizinhos do Golfo. A mídia iraniana citou o chefe da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), Almirante Alireza Tangsiri, afirmando que as forças navais iranianas lançaram “diversas ondas consecutivas” de ataques contra forças americanas em duas bases militares na região.
Ele listou as bases como sendo Al-Dhafra, em Abu Dhabi, Al-Adiri, no Kuwait, e Sheikh Isa, no Bahrein e os alvos, segundo Tangsiri, incluíam sistemas de radar Patriot, aviões e tanques de armazenamento de combustível de aeronaves.
Israel atinge a ONU
Projéteis israelenses atingiram nesta sexta-feira um quartel-general dos capacetes azuis no sul do Líbano, informou a Agência Nacional de Informação (ANI, oficial).
“Projéteis israelenses caíram dentro do quartel-general do batalhão nepalês das forças da Finul, na cidade de Mays al-Jabal”, indicou a ANI, em meio aos confrontos entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah.
Nem a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) nem o exército israelense confirmaram até o momento essa informação.
O Irã lançou uma nova salva de mísseis contra Israel, informaram os meios de comunicação estatais pouco depois da meia-noite deste sábado em Teerã, mas os serviços de resgate israelenses indicaram que não foram registradas vítimas.
Quanto dura a guerra?
Esse conflito se estendeu por todo o Oriente Médio e desestabiliza cada vez mais o comércio mundial, elevando os preços do petróleo, que passaram dos US$ 100 (R$ 520) o barril neste sábado.
Trump indicou que a Marinha dos EUA começaria “muito em breve” a escoltar petroleiros em Ormuz, uma passagem-chave por onde transita 20% da produção mundial de hidrocarbonetos e que foi bloqueada de fato por Teerã. Mas analistas dizem que a medida parece improvável porque levaria até semanas para os EUA levarem à região navios para a escolta, além de que isso os tornaria alvos mais fáceis para retaliações iranianas.
Segundo a imprensa estadunidense, Washington também enviará mais reforços para a região: o jornal The New York Times fala em cerca de 2.500 fuzileiros navais e mais três navios. Por sua vez, o Wall Street Journal cita autoridades segundo as quais o navio “USS Tripoli”, baseado no Japão, e os fuzileiros navais que o acompanham estão a caminho do Oriente Médio.
A guerra parece que vai se prolongar pelo menos até a próxima semana, quando os Estados Unidos querem atacar o Irã “mais forte”, anunciou Trump. Analistas afirmam que a estratégia iraniana é prolongar a guerra ao máximo, causando perdas militares e econômicas aos EUA e aliados.
O conflito completa duas semanas neste sábado. Analistas militares afirmam que a coalizão Israel – EUA consegue manter o esforço de guerra por cerca de quatro semanas, correndo o risco, após esse prazo, de problemas de abastecimento e reposição de munições.
