Indignação que transforma a vida das mulheres

Indignação que transforma a vida das mulheres



Indignação que transforma a vida das mulheres

O Brasil voltou a ser atravessado por uma dor coletiva difícil de explicar. A notícia recente de que uma adolescente de 17 anos foi atraída para uma emboscada e brutalmente estuprada por quatro homens chocou o país e expôs, de forma cruel, o sofrimento de uma menina que teve sua dignidade violada.

Não é só um caso policial. É um crime que escancara algo mais profundo: a permanência de uma cultura de machismo alimentada por séculos de patriarcado, que ainda naturaliza agressões contra mulheres e meninas, em sua maioria negra.

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Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil registrou mais de 1.500 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica — cerca de quatro mulheres assassinadas por dia. No campo da violência sexual, são mais de 80 mil estupros por ano, muitos envolvendo meninas e adolescentes.

Enfrentar essa realidade exige uma rede de proteção que vá além da polícia e da Justiça. A educação também tem papel fundamental. Em muitos casos, é na escola que os primeiros sinais aparecem. Foi assim quando a ausência de uma estudante de 12 anos chamou a atenção da equipe pedagógica. A escola acionou o Conselho Tutelar e a investigação revelou que a menina convivia com um homem de mais de 30 anos e estava sendo abusada.

Casos como esse mostram como a presença de equipes multidisciplinares nas escolas, com pedagogos, psicólogos e assistentes sociais, pode ser decisiva para interromper ciclos de violência que começam dentro do próprio ambiente familiar.

Também é preciso reconhecer que mudanças acontecem quando a sociedade se indigna. Em um episódio recente, uma decisão judicial que relativizava um caso de violência provocou forte reação popular. A pressão social foi tão grande que o próprio desembargador acabou recuando.

É verdade que a história das mulheres no Brasil é, antes de tudo, uma história de luta. Foi a mobilização feminista que conquistou direitos fundamentais como o voto feminino em 1932, a Lei Maria da Penha em 2006 e a Lei do Feminicídio em 2015.

O governo do presidente Lula retomou políticas importantes ao recriar o Ministério das Mulheres, fortalecer o Ligue 180, ampliar a Casa da Mulher Brasileira e articular um pacto nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres, agenda que precisa do compromisso de todos.

Durante muito tempo repetiu-se que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Mete-se a colher, sim. Mete-se a denúncia, a solidariedade e a responsabilidade coletiva.

Uma sociedade justa só se constrói quando os direitos garantem às mulheres mais dignidade, igualdade e humanidade.

E se a violência insiste em persistir, a história também mostra algo essencial: é a luta das mulheres, com o apoio de toda a sociedade, que continua empurrando o país na direção da justiça.





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