Gilmar Mendes critica Zema e governadores usando a Bíblia

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes criticou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), durante sessão da Corte nesta semana e utilizou uma passagem bíblica para rebater as falas de Zema sobre o tribunal. Na fala, o magistrado afirmou que o estado teria sido levado a uma “debacle econômica” e que estaria “sobrevivendo graças a liminares” concedidas pelo próprio STF.
Mendes também utilizou um trecho da Bíblia, atribuído a Jesus Cristo durante a crucificação, para comentar as críticas dirigidas ao Supremo: “Pai, eles não sabem o que fazem”, disse o ministro.
A declaração ocorreu no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira (4) e foi rebatida na quinta-feira (5) pelo Partido Novo em publicações nas redes sociais.
Ao comentar críticas feitas por governadores à atuação do tribunal, Mendes citou diretamente o caso de Minas Gerais e atacou a postura do chefe do Executivo mineiro.
“É chocante ver o governador de Minas Gerais que, nos seus bem feitos ou mal feitos, levou o estado a uma debacle econômica, mas está sobrevivendo graças a uma liminar dada por este tribunal, atacar o tribunal”, afirmou o ministro.
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Zema fez críticas ao STF durante manifestação
A fala de Mendes ocorre após críticas recentes feitas por Zema a integrantes da Corte. No domingo (1º), o governador esteve na Avenida Paulista, em São Paulo onde participou do movimento “Acorda Brasil”. Em seu discurso, Zema, sem citar nomes, declarou que “ninguém no Brasil é intocável”, em referência indireta a ministros do STF.
“O Brasil não aguenta mais essa farra dos intocáveis, daqueles que estão lá em Brasília e se consideram acima de todas as leis”, disse o governador de Minas Gerais.
Antes, em vídeo publicado em suas redes sociais para convocar a população para a manifestação, Zema também havia questionado a pressão feita para parar as investigações relacionadas ao Banco Master. “Esse vídeo não é sobre um ou dois ministros. O buraco é mais embaixo”, escreveu Zema. Em sua fala, ele sugere que membros do Supremo estejam tentando barrar investigações e exercer influência política.
Mendes usa dívida de Minas e decisões do Supremo para justificar críticas a Zema
Ao justificar a crítica, Mendes mencionou decisões judiciais que beneficiaram o governo de Minas Gerais em disputas fiscais com a União. Segundo o ministro, o estado tem recorrido ao STF para obter liminares que aliviam a situação financeira, inclusive em discussões sobre a dívida bilionária com o governo federal.
Minas Gerais acumula uma dívida estimada em cerca de R$ 165 bilhões com a União e recorreu ao Supremo em diversas ações relacionadas ao pagamento do débito e à adesão ao Regime de Recuperação Fiscal.
Para Mendes, há uma contradição em governadores que recorrem à Corte para resolver disputas institucionais e, ao mesmo tempo, atacam o tribunal publicamente.
Partido Novo reagiu a declarações de Mendes
As declarações do ministro Gilmar Mendes provocaram reação do partido Novo, legenda de Zema. Em publicação, a sigla afirmou que o magistrado estaria tentando intimidar críticos do STF e classificou a fala como uma espécie de ameaça.
O partido argumentou ainda que a liminar que suspendeu pagamentos da dívida mineira com a União foi concedida em 2018, ainda no governo do ex-governador Fernando Pimentel (PT), antes da gestão de Zema.
Na avaliação da legenda, Mendes insinuou que o benefício judicial poderia ser revisto caso o governador continue criticando o tribunal — interpretação que elevou o tom do embate político entre o governador mineiro e integrantes do STF.
