EUA mandam recado ao Brasil sobre presença chinesa no porto de Santos
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- O cônsul EUA em São Paulo indicou que Washington não quer empresa chinesa no leilão do Tecon 10, terminal do porto de Santos.
- Diplomata americano afirmou que terminal não deve cair em “mãos indesejadas”, em evento com empresários na Baixada Santista.
- Projeto de expansão do maior porto da América Latina ainda não tem data definida para lançamento do edital.
- Consulado negou pressão direta, mas confirmou preocupações com segurança e soberania sobre participação de empresas chinesas.
O cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, indicou que não seria do interesse de Washington que uma empresa chinesa vença o leilão do megaterminal Tecon 10, previsto para o porto de Santos. As informações são foi da Folha de S.Paulo.
Segundo o jornal, o diplomata fez a observação durante um encontro com empresários do setor portuário na Baixada Santista no início do mês.
De acordo com participantes do evento, Murakami afirmou que o terminal não deveria cair em “mãos indesejadas”, frase interpretada como uma referência à possibilidade de grupos chineses participarem da disputa.
O Tecon 10 é um dos principais projetos de expansão do porto de Santos, o maior da América Latina, e ainda não tem data definida para o lançamento do edital.
Disputa por portos na América Latina
Recentemente, diplomatas americanos também criticaram a influência de empresas da China no porto de Chancay, no Peru, um megaprojeto financiado por capital chinês.
Após decisão judicial que limitou o poder de fiscalização do órgão regulador peruano sobre o terminal, o embaixador dos EUA em Lima, Bernie Navarro, afirmou que a situação é “preocupante”.
“Os Estados Unidos jamais permitiriam que um terceiro país administrasse ativos críticos do nosso território”, disse o diplomata.
Consulado fala em “preocupações”
Procurado pela Folha, o consulado americano negou que tenha havido pressão direta sobre o leilão brasileiro.
Em nota, porém, afirmou que o governo dos EUA tem “preocupações em relação à participação de empresas chinesas”, citando temas como segurança, soberania e competição estratégica.
O projeto do terminal em Santos é visto como peça importante na logística portuária brasileira e pode atrair grandes operadores internacionais do setor.
