Em SP, PSD de Kassab ensaia “Direita Gourmet” enquanto governadores escondem fracassos da privatização
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- Evento do PSD realizado em 6 de dezembro no Clube Atlético Monte Líbano, em SP, reuniu os governadores Eduardo Leite (RS), Ratinho Jr (PR) e Ronaldo Caiado (GO).
- O encontro marcou a filiação de deputados do PSDB ao PSD, incluindo a senatorsa Mara Gabrilli, como parte da estratégia de Kassab para 2026.
- Governadores apresentaram propostas: Caiado defendeu segurança pública e criticou escala 6×1; Leite focou no teto de gastos; Ratinho Junior propôs autonomia estadual para crimes.
- A privatização da ENEL em Goiás enfrenta críticas após apagões, com Caiado pedindo intervenção federal para resolver problemas do serviço privatizado.
O Clube Atlético Monte Líbano, reduto da elite paulistana, serviu de cenário nesta sexta-feira (6) para o que Gilberto Kassab chama de “vitrine do PSD”. O evento “Propostas PSD: Modelo para o Brasil” reuniu os governadores Eduardo Leite (RS), Ratinho Jr (PR) e Ronaldo Caiado (GO) em um esforço de marketing para viabilizar uma candidatura de direita que consiga o improvável: herdar o espólio do bolsonarismo sem carregar o peso e a rejeição de Bolsonaro.
O encontro reuniu prefeitos, vereadores e quadros políticos do PSD e também serviu como ato político de filiação de diversos deputados do PSDB que migram para o PSD nas eleições deste ano, como a senadora Mara Gabrilli que será uma das puxadoras de votos do partido para a bancada estadual em São Paulo.
O “Paradoxo Caiado”: O mercado é bom, até a luz acabar
Ronaldo Caiado, representante da velha oligarquia ruralista de Goiás, tentou se vender como o campeão da segurança pública. No entanto, o governador goiano vive uma contradição ambulante. Enquanto ataca o fim da escala 6×1 como “populismo” — negando o direito básico ao descanso do trabalhador —, Caiado é obrigado a lidar com o fracasso retumbante da privatização da companhia de energia elétrica em seu estado.
Caiado, que em São Paulo defendeu a “emancipação do cidadão perante o Estado”, é o mesmo que, em Goiás, teve que clamar pela intervenção federal e pela saída da empresa italiana ENEL, conhecida por seguidos problemas em São Paulo, após também sofrer anos de apagões e descaso privado. A contradição é clara: a direita defende o Estado mínimo para os direitos sociais, mas exige que o Estado resolva a bagunça deixada pelas empresas quando o lucro fácil da privatização gera o caos no serviço público.
Eduardo Leite e o “Austericídio” com nome elegante
Eduardo Leite, o governador que tenta imprimir uma face “civilizada” à direita brasileira, focou sua fala no teto de gastos. Com uma metáfora infeliz sobre “rooftops”, Leite reforçou sua obsessão fiscalista que, na prática, estrangula o investimento público no Rio Grande do Sul.
Leite omitiu em seu discurso o fato de que sua política de austeridade deixou o estado vulnerável a tragédias climáticas e precarizou serviços essenciais. Ao culpar a “falta de empatia” da gestão Bolsonaro pelo retorno de Lula, Leite ignora que ele próprio foi linha de frente no apoio ao bolsonarismo em 2018.
Ratinho Junior e o populismo punitivista
O governador do Paraná, Ratinho Junior, trouxe para o debate a face mais crua do populismo de direita. Sua frase de efeito — “o problema do Brasil não é prender bandido, é soltar” tenta ganhar simpatia dos eleitores de extrema direita, mas ignora o colapso do sistema carcerário e a violência policial que vitima a juventude periférica.
Ratinho defendeu a autonomia dos estados para legislar sobre crimes graves, um movimento claro para tentar nacionalizar pautas que alimentam a polarização e desviam o foco do que realmente importa: a fome, o desemprego e a desindustrialização do Paraná sob sua gestão voltada ao agronegócio exportador.
O Projeto Kassab: Poder pelo Poder
O dono da festa, Gilberto Kassab, assistia a tudo com a tranquilidade de quem joga em todas as pontas. A estratégia de lançar três nomes é, na verdade, uma cortina de fumaça. O PSD busca se consolidar como o “Centrão com grife”, pronto para leiloar seu apoio a quem oferecer mais espaço na máquina pública.
O debate deixou claro que, para o trio do PSD, o Brasil é um laboratório de experiências neoliberais onde o povo entra apenas como espectador (e pagador de conta de luz cara). Entre a “mão firme” de Caiado e a “planilha fria” de Leite, o que se viu em São Paulo foi a tentativa de requentar um passado que o Brasil já deu sinais de querer superar.
