Em 2017, blogueiro que sofreu busca e apreensão no Maranhão foi preso pela PF por acusação de extorsão

Em 2017, blogueiro que sofreu busca e apreensão no Maranhão foi preso pela PF por acusação de extorsão


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  • Em março de 2025, a PF cumpriu mandato de busca e apreensão contra o blogger Luís Pablo no Maranhão, suspeito de monitorar os deslocamentos do ministro do STFFlávio Dino e de seus familiares.
  • Em 2017, o mesmo blogger foi preso pela PF durante operação no Maranhão que também prendeu um policial federal e outros dois bloggers, todos acusados de integrar organização criminosa.
  • O grupo de 2017 era acusado de praticar extorsões contra empresários e políticos, cobrando de R$ 1,5 mil a R$ 10 mil para não divulgar informações negativas sobre as vítimas.
  • O caso de 2017 foi arquivado posteriormente pelo juiz, que considerou satisfatórias as explicações dos inúmeroscriadores de conteúdo.

No dia 21 de março de 2017 foi deflagrada uma operação no Maranhão que prendeu preventivamente um Policial Federal, Danilo dos Santos Silva, e os blogueiros Luís Pablo Conceição Almeida (Luís Pablo), Luis Assis Cardoso Silva de Almeida (Luís Cardoso) e Hilton Ferreira Neto (Neto Ferreira).

O primeiro citado, Luís Pablo, é o mesmo blogueiro que sofreu busca e apreensão no início de março deste ano por ordem do ministro Alexandre de Moraes. A acusação é a de que ele monitorava e perseguia os deslocamentos de Flávio Dino e seus familiares no estado, inclusive divulgando a placa dos automóveis utilizados por eles.

O caso de 2017 teve grande repercussão. O MP acusava o grupo, do qual Luís Pablo era um dos integrantes, de organização criminosa. Eles foram acusados por extorsões, corrupção ativa e crimes contra a honra.

Há uma reportagem da época da TV Globo local que narra como funcionava o esquema – assista no link ao final deste post.

“O grupo tem uma atuação variada. Já se comentava na cidade que eles tinham esse modo de vida e costumavam praticar extorsões a partir de publicações contra imagem de pessoas. Percebemos uma predileção por grandes empresários e por pessoas politicamente expostas”, afirmou em 2017 o delegado Max Eduardo Pinheiro, chefe do Núcleo de Inteligência Policial do Maranhão em entrevista à imprensa na sede da PF.

O grupo, segundo a acusação da época, que obtinha informações sigilosas sobre operações policiais e cobrava de R$ 1,5 mil a R$ 10 mil para não divulgá-las na mídia local. No vídeo abaixo um dos empresários que teria sido achacado relata como funcionava o esquema.

Os blogueiros, segundo reportagem do Jornal o Imparcial da época, atuavam em conjunto havendo um rateio de atividades entre os membros do grupo. Um ou dois começavam postagens negativas e outros contrabalançavam, abrindo a “possibilidade de aproximação” junto ao dono das postagens. Após a extorsão, os valores eram rateados entre os participantes.

Depois da prisão, o inquérito foi arquivado porque o juiz do caso considerou as explicações dos blogueiros suficientes.

Caso Flávio Dino

O gabinete do ministro Flávio Dino informou que a busca e apreensão na residência do blogueiro Luís Pablo se deu porque a segurança do Supremo teria avisado a Polícia Federal que o ministro vinha sendo seguido em vários deslocamentos dele e de seus familiares em São Luiz. E que foi a Polícia Federal quem abriu o inquérito por perseguição.

Segue a nota do gabinete do ministro:

“Informamos que a Segurança institucional do ministro Flávio Dino foi alertada em 2025 de procedimento de monitoramento ilegal dos seus deslocamentos em São Luís. Houve publicação de placas de veículos utilizados pelo ministro, quantidade de agentes e nomes de agentes de segurança, e outros detalhes. Esse material foi enviado à Polícia Federal e à Procuradoria Geral da República, seguindo-se a instauração do procedimento investigativo cabível. Portanto, a questão em investigação deriva da necessidade de apurar os citados monitoramentos ilegais dos procedimentos de segurança do ministro Flávio Dino.
O assunto não tem correlação com crimes contra a honra ou liberdade de expressão ou inquérito das fake news.
Veículos de segurança são utilizados pelo STF, em colaboração com os Tribunais, com base nas seguintes normas:
Lei n° 12.694/2012, em especial do artigo 9°, §1°, inciso II, bem como Resolução n° 721/ STF, artigo 5°, inciso I, alínea “a”, e a
Resolução n° 435 do CNJ, que disciplina a cooperação entre os órgãos de segurança institucional do Poder Judiciário, especialmente o artigo 19, parágrafo único.”

O gabinete do ministro ainda destacou que o ministro é responsável pela investigação das emendas e que sua segurança claramente deve ser reforçada.

A nota do blogueiro

“O jornalista Luís Pablo informa que foi alvo no dia 10/3 de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal em sua residência.
A medida foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Durante a diligência, foram apreendidos equipamentos de trabalho utilizados na atividade jornalística, como computador e aparelhos celulares.
O processo tramita sob sigilo no Supremo, razão pela qual, neste momento, não é possível comentar detalhes da investigação.
O jornalista esclarece que ainda aguarda acesso integral aos autos para compreender plenamente os fundamentos da decisão.
Luís Pablo reafirma seu compromisso com o exercício responsável do jornalismo, com a apuração de fatos de interesse público e com o respeito aos princípios constitucionais e convencionais que garantem a liberdade de imprensa e o direito à informação.”

Assista à reportagem da afiliada Globo em 2017: Esquema entre agente e blogueiros funcionava à base de extorsão 




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