Dólar recua e Bolsa sobe com alta do petróleo e guerra no Oriente Médio no radar
FOLHAPRESS
O dólar recua nesta segunda-feira (9) no Brasil, apesar da aversão global a ativos de maior risco em função da guerra no Oriente Médio. O conflito valoriza o barril de petróleo, que ultrapassou o patamar dos US$ 100 e atingiu o maior valor desde 2022.
Às 13h33, a moeda norte-americana caía 0,54%, aos R$ 5,211. O movimento é contrário ao exterior, onde o dólar se valoriza com o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a outros seis pares fortes, avançando 0,10%.
No mesmo horário, a Bolsa registrava alta de 0,13%, a 179.599 pontos. Durante o pregão, as ações da Petrobras se valorizavam até 4% e eram os destaques.
A valorização do real ante o dólar acompanha a da Petrobras e do setor de energia de maneira geral. “O Brasil é um dos poucos exportadores relevantes de petróleo que não tem envolvimento direto na disputa. Isso pode favorecer o fluxo de divisas para o país, já que não se espera nenhuma disrupção relevante nas exportações brasileiras”, diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Além disso, o diferencial de juros entre Brasil e EUA continua um fator positivo. Quanto maior o diferencial, maior tende a ser a rentabilidade potencial da estratégia conhecida como carry trade.
Nessa operação, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os Estados Unidos, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando ganhar com o diferencial de juros. Assim, quanto mais favorável esse diferencial, maior tende a ser o fluxo de dólares para o país, o que contribui para a valorização do real.
Na sexta-feira, a moeda norte-americana perdeu força em meio à divulgação do relatório “payroll” dos Estados Unidos. Os dados reforçaram a tese de desaceleração da economia americana e de cortes de juros do Fed (Federal Reserve), banco central dos EUA .
O boletim Focus desta segunda mostrou economistas subindo a previsão da taxa de juros para 2026.
No exterior, a moeda norte-americana avança em comportamento relacionado com a busca global por ativos de segurança. O temor é de que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã intensifique a crise de distribuição energética no mundo.
No domingo (8), o clérigo Mojtaba Khamenei, 56, filho do aiatolá Ali Khamenei, foi anunciado como novo líder supremo do Irã, segundo a imprensa estatal iraniana. Seu pai, o segundo a ocupar o posto de autoridade máxima do país persa, foi morto por um ataque aéreo de Israel em sua residência oficial no sábado (28).
A nomeação do novo líder, considerado de um perfil mais linha-dura, reforça as expectativas de um conflito mais prolongado, diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Horas depois do anúncio, o Irã fez um ataque contra a instalação petrolífera de Al Ma’ameer, no Bahrein, a principal do país, provocando um incêndio e danos materiais ao local. No mesmo dia, Israel realizou bombardeios contra tanques de petróleo no Irã.
O Irã responde por 3% da produção global da commodity, mas detém ainda mais influência sobre o mercado de energia por causa de sua posição estratégica às margens do estreito.
O conflito no Oriente Médio não demonstra sinais de arrefecimento e acirrou preocupações com possíveis interrupções na oferta de petróleo na região do Golfo. O estreito de Hormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do GNL (gás natural liquefeito do mundo), está virtualmente fechado.
Trump afirmou na última semana que poderia enviar a Marinha para escoltar petroleiros pelo estreito de Hormuz. A retórica, porém, foi contestada pela Guarda Revolucionária do Irã, que disse que o país controla a passagem pelo canal. “Atualmente, o estreito de Hormuz está sob controle total da Marinha da República Islâmica”, disse na quarta.
O Qatar ainda suspendeu a produção de gás natural liquefeito, levando ao fechamento preventivo de instalações de petróleo e gás em todo o Oriente Médio. A produção do país representa cerca de 20% da oferta global.
Nesta segunda, o petróleo chegou a disparar quase 30%, na maior variação diária desde 1988, e ficar próximo de US$ 120 pelo barril. Na máxima do pregão, às 23h30 de domingo, a commodity chegou a estar cotada a US$ 119,46 (R$ 626,14), no maior valor desde 29 de junho de 2022, quando chegou a US$ 120,41 durante a sessão.
No exterior, a aversão ao risco impacta os índices globais. O Euro STOXX 600, referência na União Europeia, caía 0,57%, às 13h31. Nos EUA, os três maiores índices registravam queda, com Nasdaq, Dow Jones e S&P 500 caindo 0,01%, 0,77% e 0,46%, em movimento mais tímido do que o da manhã.
As movimentações valorizam empresas do setor na Bolsa brasileira, como Prio e Brava, em alta de 4% cada. A Petrobras também se beneficiava com as ações preferenciais da empresa avançando 4,36% às 13h30.
