Depressão Ingrid. A evolução do mau tempo em Portugal ao minuto
Registaram-se ainda 51 quedas de estrutura e 38 movimentos de massas ou quedas de taludes, referiu à Lusa o oficial de operações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) Telmo Ferreira, num balanço pelas 23h15.No balanço anterior, entre as 00:00 e as 17:30, tinham sido registadas 130 ocorrências relacionadas com o mau tempo causado pela passagem da depressão Ingrid.
A região Centro é a que regista mais ocorrências, com 128, seguida do Norte (116), Lisboa e Vale do Tejo (91), Alentejo (13) e Algarve.
Telmo Ferreira explicou ainda que não existem registos de danos relevantes ou feridos na sequência destas ocorrências.
Têm ocorrido inundações pontuais por transbordo de ribeiras, que têm sido analisadas pelos municípios onde ocorrem, sem causar grande preocupação, acrescentou.
Também a orla marítima está sob alerta até sábado, devido à agitação do mar, que irá agravar-se sábado, levando a Proteção Civil a prever colocar a costa portuguesa sob alerta vermelho, o máximo.
A ANEPC mobilizou cerca de 1.800 operacionais, apoiados por 215 viaturas, para fazer face aos pedidos de socorro.
O período pior da depressão irá ocorrer sexta-feira a partir da tarde e, por isso, “certamente que os números vão aumentar”, antecipou Telmo Ferreira.
A Proteção Civil enviou uma mensagem à população a aconselhar prudência e a evitar “deslocações que podem ser adiadas”.
Estado de prontidão 3 até às 23h59 de sábado
Todo o território continental, à exceção do Alentejo Central e do Baixo Alentejo, foi colocado em estado de prontidão especial de nível 3, entre as 16h00 desta quinta-feira e as 23h59 de sábado.
Os distritos de Braga, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu vão estar sob aviso vermelho (o mais grave de uma escala de três) por causa da neve, a partir das 00:00 de sexta-feira. De acordo com o IPMA, o aviso vermelho (o mais
grave), prolonga-se até às 9h00 de sábado.
Os estado de prontidão especial 3 (numa escala de 1 a 4) prevê a mobilização de 75 por cento dos meios da Proteção Civil. A GNR anunciou a mobilização de 34
equipas de prevenção imediata e veículos todo o terreno
Algumas das zonas com queda de neve incomum incluem Viseu e localidades dos distritos de Coimbra e Leiria.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil recomendou aos concelhos mais afetados para avaliar o fecho de escolas e a realização de eventos ao ar livre, recomendando também evitar deslocações desnecessárias.
Escolas fechadas em Boticas, Montalegre e Manteigas
Na sequência das previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para os próximos dias, há também um conjunto de “riscos potenciais significativos para as zonas de queda de neve”, com a possibilidade de algumas aldeias e alguns ficarem isolados, o que, além de ter impacto na vida dos cidadãos, se repercute “na capacidade de salvamento”, adiantou o comandante Mário Silvestre.
O presidente da ANEPC, José Manuel Moura, apelou à colaboração dos cidadãos, pedindo que evitem a deslocação às zonas costeiras “para ver as ondas” provocadas pela agitação marítima ou “às serras para ver a neve”.
Devido ao mau tempo, as escolas em Boticas e Montalegre, no distrito de Vila Real, estarão fechadas na sexta-feira, indicaram fontes das duas autarquias à agência Lusa.
Também a Câmara de Manteigas decidiu encerrar as escolas devido à previsão de queda de neve nas próximas 48 horas.
Capuchos e Castelo dos Mouros encerrados
O acesso à Vila Sassetti também estará vedado, acrescentou à Lusa fonte da sociedade.
Para já, os parques e palácios da Pena e de Monserrate e o Palácio Nacional de Sintra, na serra e na vila, permanecem abertos, bem como Palácio Nacional de Queluz, também gerido pela PSML.
A Câmara Municipal de Sintra interditou por sua vez as “praias Grande e Azenhas do Mar” a partir do “final da tarde de 23 de janeiro (sexta-feira), até à manhã de 25 de janeiro”.
“Esta situação poderá sofrer alterações dependendo do desenvolvimento do estado do tempo”, referiu a autarquia, que “apela à prudência e à adoção de comportamentos responsáveis”.
No vizinho concelho de Cascais, a preocupação vai para a Estrada Nacional 9-1, junto à Quinta do Pisão e para a Lagoa Azul, que se “encontra temporariamente interrompida” por indicação da Guarda Nacional Republicana (GNR), “devido ao abatimento de terras causado pelo galgamento de água desta lagoa”.
A reposição das condições de segurança nesta área “está a ser avaliada”.
c/Lusa
