Débora do Batom pode rir

Débora do Batom pode rir



Não tem como ignorar a ironia. O ministro do STF Alexandre de Moraes, que nos últimos anos adotou linha duríssima contra o apagamento de mensagens em redes sociais, agora se vê pressionado a explicar justamente isso: conversas de WhatsApp trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro que eram apagadas após a leitura, pelos dois, para não deixar rastros.

Quem deve estar com um sorriso no rosto com tudo isso é a cabeleireira Débora Rodrigues, presa e condenada por pichar com batom a frase “Perdeu Mané” na estátua da Justiça durante os eventos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Na decisão condenatória, Moraes afirmou que ela teria apagado conteúdos do celular, o que demonstraria “desprezo ao Poder Judiciário e à ordem pública”. Na prática, porém, a polícia não concluiu que ela apagou mensagens relacionadas aos atos, apenas constatou que o aparelho ficou quase dois meses sem registros.

O mundo deu suas voltas. Quem cobrava explicações rigorosas sobre mensagens apagadas precisa explicar as próprias conversas que desapareceram. Terá Moraes demonstrado desprezo ao Poder Judiciário e à ordem pública? O argumento que condenou Débora não servirá para condená-lo, e de forma ainda mais grave, por suspeita de tráfico de influência e corrupção passiva em um dos mais altos cargos da República?

Virou meme: “conseguiu bloquear?”

Agora se sabe que Moraes e Vorcaro fizeram intensa troca de mensagens no dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado. Nos diálogos, o banqueiro demonstrava urgência e perguntava repetidamente ao ministro se havia conseguido “bloquear” algo importante. “Conseguiu bloquear?”, “Alguma novidade?”, insistia.

Por que Vorcaro recorreu ao ministro? Que tipo de ligações os dois tinham? Teria alguma coisa a ver com o contrato de 129 milhões de reais do Banco Master com o escritório da esposa de Moraes?

Como diz aquela frase antiga, frequentemente atribuída a Abraham Lincoln e a Winston Churchill: “Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo, ou todas por algum tempo. Mas não pode enganar todas as pessoas o tempo todo.” Por certo, a opinião pública brasileira saberá julgar os fatos. E pressionará o Senado para que cumpra seu dever constitucional de votar o impeachment de ministros do STF, em caso de crimes comprovados.



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