Daniel Vorcaro troca advogado e prepara delação, diz jornal

Daniel Vorcaro troca advogado e prepara delação, diz jornal


00:00


Modo claro


Modo escuro

A+
A-

  • Daniel Vorcaro, preso por fraude bancária, trocou de advogado e prepara negociação de delação premiada após STF manter sua prisão.
  • O novo advogado, José Luis Oliveira Lima, já conduziu delações na Lava Jato e defendeu José Dirceu no mensalão e o general Braga Netto.
  • Mensagens de Vorcaro citam suposto boletim de ocorrência envolvendo Augusto Lima (ex-CEO do Banco Master) e Flávia Arruda (ex-ministra de Bolsonaro), atualmente no Banco Pleno.
  • O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno em fevereiro; Augusto presta depoimento nesta quarta-feira na CPMI do INSS.

O banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude bancária, trocou de advogado e prepara uma negociação de delação premiada. As informações são da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

Dessa maneira, o advogado Pierpaolo Bottini, do escritório Bottini & Tamasauskas, que fazia a defesa de Vorcaro, alegou “motivos pessoais” e deixou o caso. Quem assume é o advogado José Luis Oliveira Lima.

Oliveira Lima conduziu delações premiadas, entre elas a do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato. Ele também atuou na defesa do ex-ministro José Dirceu na época do “mensalão”, em 2012. Também representou o general Braga Netto no processo por tentativa de golpe de Estado.

Além disso, Oliveira Lima atuava para o Banco Master antes da liquidação determinada pelo Banco Central.

De acordo com informações da jornalista Mônica Bergamo, Daniel Vorcaro esperava a decisão da Segunda Turma do STF sobre a sua prisão — que optou por mantê-lo preso — para decidir sobre a delação premiada.

Com a manutenção da prisão de Daniel Vorcaro, o banqueiro deve iniciar negociações para uma delação premiada.

Mensagem de Vorcaro cita suposto BO contra Augusto Lima e expõe Flávia no núcleo do caso Master

Mensagens obtidas pela Revista Fórum no acervo extraído do celular de Daniel Vorcaro colocam Augusto Ferreira Lima e Flávia Carolina Péres em uma nova frente do caso Master. Em diálogo de 29 de agosto de 2025, Vorcaro escreveu a Martha Graeff: “Governador tem um BO que augusto bateu na flavia esse final semana” [sic].

O conteúdo emerge na véspera da oitiva de Augusto pela CPMI do INSS, marcada para esta quarta-feira, 11 de março, quando o ex-sócio e ex-CEO do Banco Master terá de dar explicações sobre sua atuação no banco e sua ligação com o crédito consignado. A nova peça do arquivo encaixa Augusto e Flávia no centro da teia que a Fórum já vem mapeando no caso Master, em que relações financeiras, proteção política e circulação de poder se sobrepõem.

O ponto central é objetivo. A mensagem existe no material primário em poder da reportagem. O que ela não prova, por si só, é a ocorrência da agressão narrada por Vorcaro. A Revista Fórum não localizou, até a publicação deste texto, boletim de ocorrência ou outro documento oficial em fonte aberta que confirme o registro citado na conversa. O fato novo, aqui, é outro: o acervo apreendido insere de forma explícita uma ex-ministra do bolsonarismo e o operador que migrou do Master para o Pleno dentro da anatomia de um escândalo que já alcança o Banco Central, o Congresso e a Polícia Federal.

No núcleo do Banco Pleno

Augusto não aparece nesse diálogo como personagem lateral. Ele chega à audiência da CPMI descrito pelo próprio Senado como ex-sócio e ex-CEO do Banco Master e atual controlador do Banco Pleno, antigo Banco Voiter. Em 18 de fevereiro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, ampliando a pressão sobre um núcleo que a Fórum já havia identificado como um dos prolongamentos institucionais do caso. Como mostrou a revista, o Pleno virou elo entre o Master, o centrão e o bolsonarismo no Distrito Federal.

Flávia tampouco surge nessa história como detalhe de rodapé. Conhecida politicamente como Flávia Arruda, ela foi ministra da Secretaria de Governo da Presidência da República no governo Jair Bolsonaro e reaparece, já em 2025, instalada no organograma do banco que passou a orbitar a crise do Master. O Banco Central aprovou Augusto Ferreira Lima e Flávia Carolina Peres Lima para cargos estatutários do Banco Pleno. A própria Fórum também mostrou que a instituição abrigava dois ex-ministros de Bolsonaro e que a CPMI passou a mirar esse núcleo.

Há ainda um elo político que ajuda a dimensionar o peso do casal no tabuleiro. A Fórum revelou que Augusto Lima e Flávia receberam honrarias de um deputado do PL com passagem pela Seopi, ampliando o mapa de conexões entre o banco, o bolsonarismo e a máquina política que se acomodou em torno do caso Master.

Quando a mulher vira munição

É aqui que o conteúdo deixa de ser mera conversa privada e ganha densidade política. Num país em que a extrema direita ajudou a naturalizar a humilhação pública de mulheres e em que a cultura red pill transformou misoginia em linguagem de massa, sobretudo contra mulheres que ocupam espaço na política, a mulher volta a aparecer como instrumento de desgaste numa guerra travada por homens cercados por dinheiro, influência e proteção. A própria Fórum já mostrou como a machosfera monetiza o ódio contra mulheres e como a internet virou espaço de violência política de gênero e raça.

O método é conhecido. A mulher deixa de ser sujeito e passa a circular como peça de pressão, humilhação, chantagem ou recado entre homens do mesmo circuito de poder. É isso que torna a mensagem relevante para além do seu conteúdo bruto. Não porque prove a agressão, o que ainda não ocorreu, mas porque mostra como uma ex-ministra e conselheira de banco reaparece no subsolo de um conflito em que o privado, o financeiro e o político se embaralham o tempo todo.

O que dizem Flávia e Augusto

Depois que o teor da mensagem veio a público, Flávia afirmou em resposta ao Poder360 que o episódio “jamais ocorreu” e classificou a informação como falsa e leviana. A defesa de Augusto disse ao mesmo veículo que a acusação é mentirosa, caluniosa e que nunca houve qualquer boletim de ocorrência.

O que fica de pé, com segurança factual, é isto: a mensagem integra o acervo obtido pela Fórum, Augusto será ouvido pela CPMI em meio ao colapso do Pleno, e Flávia e Augusto estavam, ambos, documentadamente instalados no banco que sucedeu o Voiter na órbita do caso Master. O resto, por enquanto, continua no terreno que exige prova.




Source link

Postagens Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *