Crianças. ONU acusa Rússia de crimes contra humanidade – Observador

Crianças. ONU acusa Rússia de crimes contra humanidade – Observador



As Nações Unidas definiram como “crimes contra a humanidade” as deportações e transferências de crianças ucranianas para a Rússia. As acusações surgem num relatório emitido pela Comissão Internacional Independente de Inquérito, da ONU, que dá conta de um “envolvimento direto” e “visível desde o início” do Presidende da Federação Russa, Vladimir Putin.

De acordo com a BBC, a Ucrânia diz que quase 20 mil crianças foram enviadas ilegalmente para a Rússia e Bielorrússia — e que duas mil já foram resgatadas. O relatório, porém, diz que são 1205 os casos de crianças transferidas por Moscovo em 2022 e que 80% dessas crianças (964 menores) ainda não foram devolvidas, com muitos pais e responsáveis a desconhecerem até agora o seu paradeiro.

A maioria das crianças referidas no relatório vivia nas regiões de Donetsk ou Lugansk, ilegalmente anexadas por Moscovo. Após o ataque à Ucrânia, o regime russo transferiu essas crianças para o território da Federação sob pretexto de que estariam em risco de serem atacadas por Kiev. Segundo a ONU, os menores foram colocados a viver com famílias russas ou em instituições e tiveram direito a cidadania russa.

Putin, a quem é atribuído um papel direto nesta operação, disse anteriormente que “não havia problema” em devolver as crianças ao seu país de origem e que a “história dos ‘sequestros de crianças’ foi exagerada”, alegando que os menores foram “resgatados” de uma zona de guerra, relembra a BBC. Kiev desmentiu a disponibilidade mostrada pelo Kremlin, dizendo que as crianças enfrentaram muitas dificuldades em regressar à Ucrânia.

Os problemas não ficarão, além disso, resolvidos com o regresso das crianças à Ucrânia, com as Nações Unidas a lembrarem as consequências psicológicas de maus-tratos sofridos em território russo. Por exemplo, funcionários de um orfanato na Rússia disseram a uma criança ucraniana que o seu país “já não existe” e que os seus pais “provavelmente morreram”. Assim, estes menores poderão sofrer com “trauma, ansiedade e medo de abandono”.

Citada no relatório, uma mãe diz continuar à procura da sua filha. “Continuo à procura da minha filha e estou com muito medo do que ela possa pensar de mim e da forma que ela sobrevive lá, onde muitas pessoas ondeiam ucranianos”, confessou.

Von der Leyen defende regresso de crianças deportadas como condição para a paz

Em 2023, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu um mandado de de captura internacional contra Putin, acusando-o de deportação ilegal de crianças ucranianas, juntamente com Maria Lvova-Belova, Comissária russa para os Direitos da Criança, que disse ter “acolhido” e “reeducado” um rapaz de 15 anos de Mariupol — cidade também ocupada por Moscovo — apesar de a criança “não querer ir” para a Rússia.





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