Compra de supercomputador para plano de IA atrasa por falta de infraestrutura
O governo federal adiou a compra do supercomputador que será a base do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que tinha previsão do edital ser lançado em outubro de 2025. A nova previsão é para o fim de março ou início de abril por causa de problemas de infraestrutura e definição do local onde a máquina será instalada.
O projeto é conduzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e é considerado a principal peça do plano nacional para ampliar a capacidade tecnológica do país. O supercomputador deve custar cerca de R$ 1,8 bilhão dentro de um pacote maior de aproximadamente R$ 23 bilhões em investimentos até 2028.
“O prédio precisa suportar uma carga por centímetro quadrado muito grande. Não é qualquer data center que pode hospedar um equipamento dessa natureza”, explicou Henrique Miguel, secretário de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital do MCTI, em entrevista ao Poder360 publicada neste domingo (15).
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O atraso ocorreu principalmente porque o governo precisou rever o local de instalação da estrutura, que precisa ser robusto para abrigar o equipamento. A primeira opção analisada era o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis, no Rio de Janeiro, mas o espaço foi descartado por causa do alto custo de energia e das limitações da rede elétrica.
Atualmente, a principal alternativa estudada pelo governo é instalar a máquina em um data center da Telebras, em Brasília, que possui infraestrutura elétrica mais robusta e fica em terreno pertencente à União.
Hoje, o principal supercomputador científico em funcionamento no Brasil é o Santos Dumont, também instalado no LNCC. O equipamento é utilizado por universidades e centros de pesquisa para simulações complexas em áreas como previsão climática, estudos de energia e modelagem biológica.
Com a nova estrutura prevista no PBIA, o governo espera ampliar significativamente essa capacidade de processamento. Tarefas como o treinamento de modelos de inteligência artificial, que atualmente podem levar dias, poderão ser concluídas em muito menos tempo.
O plano também prevê a criação de uma infraestrutura nacional para processamento de dados sensíveis do Estado. A proposta é utilizar o supercomputador como base para uma nuvem governamental própria que possa armazenar e processar informações de órgãos públicos estratégicos, como o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Petrobras.
“Sem capacidade própria, o caminho é a dependência tecnológica e comercial. Ou você desenvolve sua infraestrutura ou fica totalmente refém de quem controla essas plataformas”, disse Miguel.
O secretário também projeta uma redução nos contratos entre 20% e 80% do custo da nuvem.
