Carlos Alberto de Nóbrega faz 90 anos na ‘Praça É Nossa’ – 11/03/2026 – Ilustrada

Carlos Alberto de Nóbrega faz 90 anos na ‘Praça É Nossa’ – 11/03/2026 – Ilustrada


Carlos Alberto de Nóbrega está no hospital. Talvez tenha de comemorar seus 90 anos, nesta quinta-feira, não jantando com a família, mas sintonizando no SBT às 22h30 para ver a edição especial de “A Praça É Nossa” num televisor do Sírio-Libanês, em São Paulo, onde está internado desde domingo.

É uma quebra na disciplinada rotina do comediante, que vive em função desta que é a atração de humor mais longeva da TV aberta em atividade. Mas o tratamento da pressão alta e de uma pneumonia não o impediu de fazer sua tradicional live no Instagram, na última terça, tomando café da manhã com a mulher, Renata de Nóbrega.

Havia um motivo especial, como ele explica no vídeo, às risadas. A médica não queria adiar o sorteio do seguidor que poderá tomar um café com o casal e participar de uma gravação da “Praça”. Carlos Alberto ainda escreve quadros do programa à mão ao longo da semana, grava na quinta e edita o material na sexta-feira, então o prêmio só virá quando esse cotidiano voltar aos eixos —o que não deve demorar.

Há alguns meses, pediu para ser liberado de outra internação só para ir gravar no SBT, horas após um cateterismo. “Ninguém sabe explicar, eu estou rejuvenescendo”, disse Carlos Alberto, comentando a saúde de seu coração numa conversa com jornalistas, pouco antes de entrar no estúdio para gravar a “Praça” da semana.

Já acomodado em frente às câmeras, recebeu uma sequência de convidados surpresa. Raul Gil, por exemplo, cantou ópera e fez imitações, fingindo ser um calouro entrevistado pelo comediante Alexandre Porpetone, caracterizado como o apresentador. Patrícia Abravanel entrou vestida de criança ao lado de Nina, a personagem infantilizada de Marlei Cevada. Ronnie Von, que popularizou a música “A Praça”, brincou de paciente da Dra. Rosângela, a psicóloga excêntrica de Índio Behn.

Até Boninho bateu ponto lá ao lado de Paulinho Gogó, o malandro de Maurício Manfrini, enquanto o jornalista César Filho fingiu entrevistar João Plenário, o deputado corrupto de Saulo Laranjeira.

As esquetes costuraram o riso e a celebração de uma carreira iniciada em 1954 e, entre uma tomada e outra, Carlos Alberto secava as lágrimas com um lencinho escondido atrás do banco onde se senta, desde 1987, à mercê das figuras pitorescas que o visitam.

Já integrada ao espírito familiar do SBT, a atração, hoje, é mais dele do que foi de seu pai, Manuel de Nóbrega, criador e apresentador da “Praça da Alegria” entre as décadas de 1950 e 1970, desde o início na TV Paulista até o seu fim na mesma casa, já transformada em Globo.

E, ao contrário de Carlos Alberto, “A Praça É Nossa” não anda envelhecendo bem para parte do público atual, já que sua fórmula parte de bordões, piadas escatológicas e sexuais, devidamente marcadas pelas risadas da claque —a plateia que ri alto conforme a produção manda.

Mas o humorista diz não se importar com as críticas nas redes sociais. “Não ligo muito, porque eu estou bem com a minha consciência”, disse. “Às vezes, a pessoa pode não gostar de mim, achar o programa uma droga, é um direito que ela tem.”

“Não conheço ninguém que fez sucesso na internet e fez sucesso na televisão”, afirmou, apesar de ele e outros comediantes da TV terem se tornado figuras onipresentes em podcasts e no YouTube a partir do fim do humor nas telinhas por causa de uma suposta insegurança de outras emissoras.

“É mais fácil você comprar um filme ou investir num programa de entrevista, que você só paga o apresentador”, disse. Ele, por sua vez, diz ser “viciado em ibope” e estruturar o programa pensando em audiência.

O comentário vem pouco após o SBT ter cancelado o programa Sabadou com Virginia, com a influenciadora Virginia Fonseca, que decidiu não renovar com a emissora para seguir novos projetos, após dois anos no ar. Agora, a casa vai apostar numa versão repaginada do programa de auditório Viva a Noite sob o comando de Luís Ricardo, outra prata da casa que esteve na gravação.

As mudanças na grade também anteciparam o horário da “Praça” para 22h30, logo após o Programa do Ratinho —apresentador que foi prestigiar o colega vestindo um turbante digno das chanchadas de Oscarito e Grande Otelo.

“Essa mudança foi um presente”, diz Carlos Alberto, comentando uma possível melhora na audiência. Dando continuidade à disputa de Silvio Santos pelo segundo lugar na TV aberta, o comediante parece confiar ainda num público que acorda cedo para trabalhar, não pode virar a madrugada vendo TV e, sobretudo, ainda dá risada de um programa sem medo de zombar de si e da TV brasileira.

Na última semana, a participação de Galvão Bueno no Ratinho, dançando e cantando “La Bamba”, viralizou nas redes, com usuários dizendo que o narrador esportivo estaria aprendendo a viver após deixar o “padrão Globo” para trás.

Da mesma forma, na “Praça”, são frequentes as piadas com emissoras concorrentes, salários baixos, contratos cancelados ou com o próprio Marcelo de Nóbrega, diretor do programa há 25 anos.

Para Carlos Alberto, seu filho é o único que poderá dar continuidade à atração, quando ele não puder mais tocá-la como faz hoje. “Eu não quero morrer na cama. Quero morrer trabalhando, se Deus me der essa graça. Ele que vai resolver [o futuro], se a ‘Praça’ vai existir… A gente não sabe o dia de amanhã, tudo muda.”



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