Alta do diesel expõe abusos na cadeia de combustíveis, denuncia FUP
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- FUP denuncia que distorções estruturais no mercado de combustíveis causaram alta recente do diesel no Brasil, mesmo com zeramento de impostos federais pelo governo Lula.
- Entidade attributes o problema ao Preço de Paridade de Importação (PPI), adotado em 2016 no governo Temer e mantido até 2022, vinculando preços internos ao mercado internacional.
- Levantamento do Ineep mostra que, enquanto diesel da Petrobrás permaneceu estável em R$ 3,30 entre janeiro e março, preços baseados no PPI subiram de R$ 3,19 para R$ 5,32.
- Brasil importa 20% a 25% do diesel consumido, e privatização de refinarias e da BR Distribuidora reduziu capacidade de controle de preços.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) detectou que distorções estruturais no mercado de combustíveis são responsáveis pela alta recente no valor do diesel no Brasil. O problema ocorre apesar das medidas adotadas pelo governo Lula, que zerou tributos federais para tentar conter os preços e minimizar os impactos da elevação das cotações internacionais do petróleo decorrentes da guerra no Oriente Médio.
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Cibele Vieira, diretora da FUP, destacou que o cenário atual é consequência direta da falta de controle público sobre a cadeia de combustíveis e da dependência externa.
“A Petrobrás pode equilibrar preços na refinaria, mas não controla o que acontece depois. Sem distribuição pública e com parte do diesel sendo importada, abre-se espaço para aumentos abusivos ao longo da cadeia”, afirmou.
A entidade apontou que o problema se agravou a partir de 2016, com a adoção do Preço de Paridade de Importação (PPI) no governo Michel Temer, política mantida no governo Jair Bolsonaro. O modelo vinculava os preços internos ao mercado internacional, mesmo com o Brasil sendo importante produtor de petróleo.
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A política foi alterada a partir de 2023, quando a Petrobrás passou a adotar uma estratégia mais flexível, buscando reduzir a volatilidade e proteger o mercado interno. Ainda assim, a entidade representativa dos petroleiros lembrou que a empresa não tem alcance sobre o preço final.
Para tentar conter altas ao consumidor, em meio à guerra, o governo federal isentou impostos sobre o diesel (PIS e Cofins) em 12/3. Em 13/3, a Petrobrás reajustou o preço do produto; e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou preços da semana de 8/3 a 14/3 – os últimos apurados, ainda sem captar os impactos das novas medidas governamentais.
Segundo a ANP, as variações médias de preços, na bomba, da semana de 1/3 a 7/3 para 8/3 a 14/3 foram: gasolina subiu 2,5%, óleo diesel S500 aumentou 11,8% e o S10 mais 12%.
Levantamentos realizados pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), com base em dados da ANP, entre 5 de janeiro e 9 de março de 2026, evidenciam o impacto dos diferentes modelos de precificação no mercado brasileiro de combustíveis.
Enquanto o diesel da Petrobrás permaneceu estável em R$ 3,30 durante todo o período, o preço baseado no PPI saltou de R$ 3,19 para R$ 5,32. Já as refinarias privatizadas acompanharam a disparada: a Acelen (Bahia) passou de R$ 3,31 para R$ 5,02 e a Ream (Amazonas) de R$ 3,70 para R$ 5,70.
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Efeito de privatização
Para o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, os dados escancaram os riscos da privatização no setor energético.
“Esse levantamento mostra, de forma concreta, o que está em jogo quando se abre mão do controle público de áreas estratégicas como a energia. Enquanto a Petrobrás busca proteger o país das oscilações internacionais, empresas privadas repassam imediatamente qualquer alta ao consumidor, visando ampliar margens de lucro. É a prova de que a soberania energética impacta diretamente no bolso da população e na estabilidade da economia”, afirmou.
Bacelar alertpu para os efeitos em cadeia do aumento do diesel sobre a economia. “Quando o diesel sobe, não é só o combustível que encarece, mas também o transporte, os alimentos, a inflação. O aumento se espalha por toda a economia”.
Os dados evidenciaram que, mesmo com a mudança na política de preços da Petrobrás, os valores finais seguem pressionados por agentes privados ao longo da cadeia.
Segundo o dirigente da FUP, isso ocorre porque o Brasil ainda importa entre 20% e 25% do diesel consumido, devido à falta de investimentos no refino e à venda de refinarias nos últimos anos. Além disso, a privatização da BR Distribuidora – hoje controlada pela Vibra Energia – retirou da Petrobrás a capacidade de atuar diretamente na distribuição.
