Alemanha não vê papel para a NATO no combate ao bloqueio do Estreito de Ormuz

Alemanha não vê papel para a NATO no combate ao bloqueio do Estreito de Ormuz


“Durante o fim de semana, falei com o secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre se seria possível ter o mesmo tipo de iniciativa [no estreito de Ormuz] que tivemos no Mar Negro para tirar cereais da Ucrânia”, referiu Kaja Kallas em declarações aos jornalistas à chegada para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, em Bruxelas.

A Alta Representante da UE referiu que o encerramento do estreito de Ormuz é “muito perigoso” para o abastecimento de petróleo, em particular para a Ásia, “mas também é problemático para os fertilizantes”.

“Se houver falta de fertilizantes este ano, vai haver privação alimentar no próximo ano. Portanto, discutimos com o António Guterres como é que seria possível concretizar” essa iniciativa, indicou.

Na menção que fez à Ucrânia, Kaja Kallas referia-se à designada Iniciativa dos Cereais do Mar Negro, mediada pela ONU e pela Turquia em julho de 2022, que, após ter sido assinada por Kiev e Moscovo, permitiu exportações de cereais a partir dos portos ucranianos apesar da guerra entre os dois países, antes de a parte russa suspender o acordo em julho de 2023.

Nestas declarações aos jornalistas, Kaja Kallas referiu que os ministros dos Negócios Estrangeiros vão também discutir hoje se alteram o mandato da missão Aspides, que tem como missão atualmente proteger navios comerciais e mercantes na região do Mar Vermelho.

“Vamos ver se os Estados-membros estão verdadeiramente disponíveis para usar esta missão. Se quisermos ter segurança na região, era mais fácil usar esta missão que já temos na região e mudá-la um pouco”, disse, referindo que, apesar de a França já ter anunciado que pretende criar uma missão para ajudar a abrir o estreito de Ormuz, “é preciso ver o que é que poderia funcionar mais rápido”.

Questionada sobre as declarações do Presidente dos Estados Unidos, que disse este domingo que a NATO teria um “futuro muito mau” se os aliados não ajudarem a abrir o estreito de Ormuz, Kaja Kallas respondeu: “É do nosso interesse manter o estreito de Ormuz aberto”.

“Por isso é que também estamos a ver o que é que podemos fazer do lado europeu. Temos estado em contacto com os nossos colegas americanos a vários níveis”, referiu.

Kallas observou, contudo, que o estreito de Ormuz “está fora da área” da Aliança e “não há países da NATO no estreito de Ormuz”, salientando que é por isso que a missão Aspides, ou outra missão voluntária que seja criada por Estados-membros da UE para o estreito de Ormuz, é importante.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) reúnem-se hoje em Bruxelas para discutir as consequências da guerra no Irão e decidir um eventual reforço da presença naval no Médio Oriente para proteger a circulação marítima na região.



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