Além do avião de Vorcaro, Nikolas voou em jatinho de empresário de caça-níqueis denunciado por lavagem de dinheiro

Além do avião de Vorcaro, Nikolas voou em jatinho de empresário de caça-níqueis denunciado por lavagem de dinheiro


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  • Deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) usou jatinho de empresário denunciado pelo MP-SP por exploração ilegal de jogos de azar e lavagem de dinheiro durante a campanha municipal de 2024.
  • O voo ocorreu entre 24 e 25 de agosto de 2024, saindo de Jundiaí (SP) com escalas em Belo Horizonte (MG) e São José dos Campos (SP), com custo superior a R$ 165 mil pagos pelo fundo partidário.
  • A aeronave PR-MKB pertence a Nelson Ramon Aguilera Júnior, inúmerado em esquemas de máquinas caça-níqueis ilegais desde 2017, com processos em tramitação na Justiça.
  • O caso se soma à revelação do uso de jatinho do banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master) pelo deputado em 2022; ao todo, Nikolas realizou 15 viagens aéreas financiadas pelo fundo partidário, totalizando mais de R$ 3,3 milhões.

Além do avião de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master investigado por fraude bilionária e que está preso, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também utilizou, durante a campanha municipal de 2024, um jatinho de um empresário denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por participação em um esquema de exploração ilegal de jogos de azar e lavagem de dinheiro. As informações foram reveladas pelo The Intercept Brasil, que identificou o voo por meio do cruzamento de registros de fretamento, dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e documentos de prestação de contas do Partido Liberal (PL).

A aeronave utilizada tem prefixo PR-MKB e pertence a uma empresa ligada ao empresário Nelson Ramon Aguilera Júnior, que atua no setor da construção civil. Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público no âmbito de investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Aguilera e outros investigados teriam estruturado um esquema destinado a ocultar e dissimular recursos provenientes da exploração ilegal de jogos, incluindo máquinas caça-níqueis.

O voo ocorreu entre os dias 24 e 25 de agosto de 2024 e percorreu o trajeto entre Jundiaí (SP), Belo Horizonte (MG) e São José dos Campos (SP). Documentos do partido indicam que o serviço custou mais de R$ 165 mil e foi pago com recursos do fundo partidário — abastecido majoritariamente por dinheiro público do orçamento federal.

Durante a campanha municipal daquele ano, Nikolas percorreu diversas cidades para apoiar candidatos do PL. Ao todo, ele realizou ao menos 15 viagens aéreas financiadas com recursos do fundo partidário. De acordo com notas fiscais de transporte e registros de prestação de contas, os gastos com esses voos ultrapassaram R$ 3,3 milhões.

Empresário já foi denunciado anteriormente

A investigação do Ministério Público não é o primeiro episódio envolvendo Aguilera. O empresário já havia sido alvo de uma denúncia semelhante em 2017, também relacionada à exploração de jogos ilegais e lavagem de dinheiro. Os dois processos seguem em tramitação na Justiça.

O avião utilizado na viagem é um Learjet modelo 31A, fabricado em 1999, com capacidade para até oito passageiros, segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro da Anac. Além do deputado, estavam no voo o secretário parlamentar Andre Dumont Lacerda e Pedro Henrique Gonçalves.

Posteriormente, a aeronave PR-MKB também foi alvo de uma medida judicial. Em outubro de 2025, um ofício da Anac encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou o cumprimento de uma ordem de bloqueio e indisponibilidade do jatinho. O documento não detalha o motivo da decisão.

Caso se soma ao jatinho de Vorcaro

A revelação ocorre poucos dias depois de vir à tona outro episódio envolvendo o uso de aviões privados pelo deputado. Nikolas também utilizou um jatinho ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, durante uma viagem pelo Nordeste antes das eleições de 2022.

Na ocasião, o parlamentar afirmou que a viagem havia sido contratada sem que ele soubesse quem era o proprietário da empresa responsável pela aeronave. Dias depois, porém, foi revelado que Nikolas havia viajado ao lado de seu aliado, o pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, para um encontro com o então presidente Jair Bolsonaro também em um avião ligado ao Banco Master.

Outro lado

Procurado pelo The Intercept Brasil, o advogado de Aguilera, Ivan Cunha de Sousa, afirmou que a aeronave mencionada está sob gestão da AllJet Táxi Aéreo e que eventuais questionamentos sobre os voos deveriam ser direcionados à empresa. O advogado acrescentou ainda que os processos judiciais citados na reportagem tramitam em segredo de Justiça.

Já o gabinete de Nikolas Ferreira informou que o PL contratou o serviço de táxi aéreo da AllJet e destacou que, segundo registros da Receita Federal, Aguilera não integra o quadro societário da empresa. A assessoria não respondeu se o deputado sabia que o empresário era o proprietário da aeronave utilizada no voo operado pela companhia nem se sua equipe verifica a titularidade de aviões usados em agendas políticas.

A AllJet confirmou que operou, nos dias 24 e 25 de agosto de 2024, o voo em que esteve Nikolas e sua assessoria. Segundo a empresa, o avião de Aguilera integrou suas atividades de fretamento e segue um modelo comum na aviação executiva, em que aeronaves pertencentes a terceiros são operadas comercialmente por empresas de táxi aéreo mediante contratos firmados com os proprietários e registrados na Anac.




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