Trump cobra mil milhões por adesão ao Conselho de Paz – Observador

Trump cobra mil milhões por adesão ao Conselho de Paz – Observador



Mil milhões de dólares. É este o valor que vai custar aos países que queiram uma adesão permanente ao Conselho de Paz, o novo órgão internacional de manutenção da paz concebido pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que algumas vozes defendem ser um projeto para ‘esvaziar’ o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O valor foi adiantado pela Bloomberg News, tendo entretanto o Times of Israel divulgado o documento completo que irá reger este organismo. “Cada Estado-Membro terá um mandato não superior a três anos a partir da entrada em vigor da presente Carta, sujeito a renovação pelo Presidente. O mandato de três anos não se aplica aos Estados-Membros que contribuam com mais de 1.000.000.000 de dólares americanos em fundos em dinheiro para o Conselho da Paz no primeiro ano após a entrada em vigor da Carta”, lê-se.

O poder de decisão sobre a continuidade dos países fica nas mãos de Trump, mas também o poder de decidir quem pode entrar. Com efeito, logo o primeiro artigo a seguir ao preâmbulo e ao capítulo que define os objetivos do Conselho de Paz estabelece que a adesão “é limitada aos Estados convidados a participar pelo Presidente”.

Donald Trump fez seguir durante este fim de semana dezenas de convites a outros chefes de Estado — especula-se que para cerca de 60 países —, incluindo para o seu homólogo russo, Vladimir Putin. Aliás, o Kremlin já confirmou a receção da proposta esta segunda-feira.

“De facto, o Presidente Putin recebeu uma oferta através dos canais diplomáticos para participar no Conselho de Paz. Estamos atualmente a estudar todos os pormenores desta proposta”, disse o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov. Em declarações citadas na agência russa Tass, Peskov acrescentou: “Esperamos entrar em contacto com o lado americano para esclarecer os detalhes”.

Entre os destinatários do convite encontram-se os líderes da Argentina, do Canadá, do Egito, de França, da Hungria, da Índia, de Itália, da Turquia, do Paquistão e da Jordânia. Até ao momento, conhece-se apenas o ‘sim’ do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Órban, um conhecido aliado de Donald Trump, ao convite para aderir ao organismo.

Concebido por Trump para alegadamente supervisionar o processo de reconstrução de Gaza, o documento agora revelado não faz qualquer menção ao território palestiniano, o que, segundo algumas análises, deixa transparecer a vontade de Washington em ir mais longe do que este conflito e, eventualmente, intervir noutras questões internacionais, como reconhece o primeiro capítulo da carta.

“O Conselho da Paz é uma organização internacional que procura promover a estabilidade, restaurar uma governação fiável e legítima e garantir uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos. O Conselho da Paz desempenhará essas funções de construção da paz em conformidade com o direito internacional e conforme aprovado nos termos da presente Carta”, refere o documento.

Recorde-se que o Conselho de Segurança da ONU tinha apoiado o plano de Trump em novembro de 2025 para o fim da guerra entre Israel e o Hamas, saudando a criação do Conselho de Paz e considerando que o mesmo contribuiria para a transição de liderança e para a reconstrução de Gaza.

Tony Blair, Witkoff, Kushner e Rubio lideram Conselho de Paz na Faixa de Gaza

O documento divulgado deixa ainda implícita uma crítica ao Conselho de Segurança da ONU, ao lamentar que “muitas abordagens à construção da paz promovam uma dependência perpétua e institucionalizem a crise”, sem deixar de destacar igualmente a “necessidade de um organismo internacional de construção da paz mais ágil e eficaz”.

Na passada sexta-feira, Donald Trump anunciou sete nomes para o conselho executivo fundador, nos quais se contam o seu genro Jared Kushner, o Secretário de Estado, Marco Rubio, o enviado para o Médio Oriente, Steve Witkoff, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, o vice-conselheiro de segurança nacional, Robert Gabriel, e o milionário Marc Rowan.





Source link

Postagens Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *