Falso polícia terá usado IA para enganar vítimas – Observador

O homem detido em Penafiel suspeito de se fazer passar por um polícia que prometia anular multas em troca de dinheiro é suspeito de usar a Inteligência Artificial (IA) para entrar em contacto com as vítimas. Em causa, estão os crimes de burla e usurpação de funções.
O detido “prometia influências junto da referida instituição para anulação de coimas de trânsito e legalização de veículos apreendidos, mediante pagamentos monetários”, avançou a GNR em comunicado a 16 de janeiro.
Ao Observador, fonte do Destacamento Territorial de Penafiel de Guarda Nacional Republicana (GNR) acrescenta que foi “muitas vezes com recurso a IA, mostrando uma imagem mais credível como força de segurança e aparecendo, por exemplo, em fiscalizações, que o suspeito terá entrado em contacto com algumas das vítimas, fazendo-se passar por polícia”.
Detido em Penafiel homem que se fazia passar por polícia
“Nas redes sociais do suspeito, as imagens e os indicadores de pertença ao Ministério da Administração Interna pareciam mostrar que o suspeito era mesmo da PSP. A página online tinha o único objetivo de conferir ao suspeito um perfil confiável e acabou por lhe dar alguma credibilidade”, adianta.
Ainda não é possível aferir os valores totais da burla, nem perceber há quanto tempo durava. “Atendendo a que a partilha através do Facebook era livre e os pagamentos também eram feitos online, a amplitude que isto pode ter tido é incontrolável. Podiam ser pessoas de todo o lado e pode-se ter estendido a muita gente. Só no inquérito é que vamos ter a certeza do total de ocorrências”, explica a mesma fonte.
Está ainda a ser investigada uma ligação entre o suspeito e crimes semelhantes em zonas próximas. “Temos conhecimento de que houve mais situações semelhantes em Braga, com valores que podem chegar à volta dos 50 mil euros. Há indícios de que era a mesma pessoa porque os encontros eram marcados na mesma localização, em Vila do Conde, mas ainda não estão apurados os factos e não podemos confirmar. Também pode ser uma pessoa diferente e estar a usar o mesmo esquema”, aponta a fonte.
A GNR alerta para alguns cuidados a ter de forma a evitar este tipo e outras burlas. “É preciso estar atento ao comportamento. Se ‘nós’, forças de segurança, aparecermos à porta de alguém a pedir ou a exigir algum montante por uma contraordenação, esse é o primeiro sinal suspeito. Não vamos de casa em casa bater à porta a pedir dinheiro, independentemente do motivo. Não abordamos diretamente as pessoas por telefone, e-mail ou redes sociais, sobretudo para solicitar pagamentos. Quando existe um valor a pagar relativo a uma coima, é enviada uma carta registada, devidamente identificada, onde estão explícitos todos os procedimentos sobre como e onde efetuar o pagamento”, esclarece.
Foi precisamente pelo comportamento suspeito que o alerta foi dado. Um dos visados sabia como atuavam as forças de segurança e achou aquela abordagem suspeita. O homem de 52 anos foi depois apanhado em flagrante delito, em Penafiel, no momento em que recebia a quantia de 340 euros de uma vítima. Foi também realizada uma busca domiciliária, da qual resultou a apreensão de um telemóvel e de um boné da PSP, utilizados na prática das burlas, assim como de 480 euros em notas.
Texto editado por Leonor Riso
