Fortes explosões ouvidas na capital da Venezuela
Detonações e sobrevoo de aviões foram ouvidos em Caracas nas primeiras horas deste sábado.Fortes explosões e ruídos semelhantes aos de aviões foram ouvidos nas primeiras horas deste sábado (03/01) em Caracas, segundo relatos de jornalistas na capital da Venezuela.
Imagens não verificadas compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios com colunas de fumaça, embora não seja possível determinar a localização exata das explosões, que parecem ter ocorrido no sul e leste da capital.
As primeiras explosões foram ouvidas em torno das 02h00, seguida de outra às 02h38, enquanto aeronaves continuavam sobrevoando a cidade.
As explosões ocorrem depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, que enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionar a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmar que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam “contados”.
Trump alegou nesta segunda-feira que os Estados Unidos destruíram um porto usado por embarcações supostamente envolvidas com o narcotráfico na Venezuela, o que seria o primeiro ataque terrestre dos EUA em solo venezuelano.
Maduro reagiu à fala de Trump afirmando que “o sistema de defesa nacional garantiu e continua a garantir a integridade territorial, a paz do país e o uso e gozo de todos os nossos territórios”.
Trump acusa Maduro de chefiar uma rede de narcotráfico, acusação que Caracas nega, alegando que Washington quer derrubá-lo para se apoderar das reservas de petróleo do país.
Governo venezuelano denuncia “agressão gravíssima” dos EUA ao país
O governo venezuelano denunciou neste sábado uma “agressão militar gravíssima” dos Estados Unidos contra alvos civis e militares nos estados de Miranda, Aragua, La Guaira e na capital do país, Caracas, e ordenou “o destacamento do comando para a defesa integral da nação”.
Em nota, o governo da Venezuela convocou a população às ruas. “O governo bolivariano convoca todas as forças sociais e políticas do país a ativarem seus planos de mobilização e repudiar este ataque imperialista.”
O comunicado acrescentou que o presidente Maduro “ordenou a implementação de todos os planos de defesa nacional” e declarou “”estado de perturbação externa”.
“A Venezuela rechaça, repudia e denuncia à comunidade internacional a grave agressão militar perpetrada pelo atual governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana.”
Presidente Colombiano fala em ataque contra a Venezuela
O presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmou em postagens nas redes sociais que as explosões em Caracas seriam resultantes de um “ataque” à Venezuela e pediu uma reunião imediata da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da ONU.
“Neste momento, bombardeiam Caracas. Alerta a todo o mundo, atacaram a Venezuela. Bombardearam com mísseis. A OEA (Organização dos Estados Americanos) e a ONU (Organização das Nações Unidas) devem se reunir imediatamente”, escreveu Petro, no X.
Até o momento, não há registro ou evidências de que as explosões foram causadas por ação militar.
O presidente colombiano já expressou várias vezes sua oposição às ações dos Estados Unidos na escalada de tensões com a Venezuela. Em outubro, os EUA anunciaram sanções contra Petro e parentes dele, alegando que o mandatário falhou no combate às drogas.
Num segundo post, Petro destacou que a Colômbia passou a integrar o Conselho de Segurança das Nações Unidas neste início de ano. Este deveria ser “convocado de imediato. [para] Estabelecer a legalidade internacional da agressão sobre a Venezuela.” Petro ainda destacou que O Posto de Mando Unificado (PMU) estaria “ativado em Cúcuta”, assim como “o plano operacional na fronteira” com a Venezuela.
Qual é a força do Exército venezuelano? E quais aliados podem sair em sua defesa?
Em 23 de outubro, em resposta ao aumento do destacamento militar dos EUA na costa da Venezuela, o líder do país, Nicolás Maduro, tentou fazer um apelo pela paz. Ao mesmo tempo, alertou que a Venezuela possui 5.000 sistemas portáteis de defesa aérea Igla-S, de fabricação russa. “Graças ao presidente [Vladimir] Putin, à Rússia, à China e a muitos amigos ao redor do mundo, a Venezuela tem o equipamento necessário para garantir a paz”, afirmou.
Mas, qual é o real poderio do Exército venezuelano e com quais aliados internacionais o país pode contar para tentar fazer frente aos Estados Unidos?
O Exército venezuelano foi fortalecido pela fartura do petróleo na era [do antecessor de Maduro, Hugo] Chávez, mas pouco restou após o ápice de 2013 dos gastos com defesa de mais de 6 bilhões de dólares (R$ 32 bilhões).
O orçamento nacional da Venezuela para 2025 totaliza 22,661 bilhões de dólares. Desse total, apenas 3%, cerca de 657 milhões, são destinados ao Ministério da Defesa
Segundo estimativas da CIA, disponíveis publicamente, a Venezuela gasta cerca de 0,5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em defesa (em comparação com, por exemplo, 3,4% na Colômbia ou 3,2% nos Estados Unidos), tem “laços com as Forças Armadas da China, Cuba, Irã e Rússia” e conta com entre 125.000 e 150.000 militares da ativa, além de cerca de 200.000 membros de milícias. Soma-se a isso o apelo às armas para que civis defendam a pátria.
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Imagem não confirmada de uma explosão em La Carlota, próximo a uma base aérea das Forcas Armadas Venezuelanas em Caracas
