Num país de “empatas”, IL acusa Governo de “comprar votos” – Observador

Num país de “empatas”, IL acusa Governo de “comprar votos” – Observador



Contra “empatas”, para tomar a “dianteira” como um partido que pretende ser “alternativa” e com o intuito de reformar um partido que “não é ingovernável, mas é irreformável”. A Iniciativa Liberal está reunida nas jornadas parlamentares, no Porto, e Mário Amorim Lopes, líder da bancada no Parlamento, acusa o PSD de estar “efetivamente a empatar o país” e de ter tentado “comprar os votos dos portugueses” com os anúncios durante a discussão da moção de censura. Considera ainda que o PS não quer tocar em “rigorosamente nada” e que o Chega “não empata o protesto”.

Uma das grandes batalhas da Iniciativa Liberal é garantir que derrotamos estes empatas, que o reformismo vence”, defende Mário Amorim Lopes, convicto de que é possível “concretizar o potencial de Portugal”, já que “os portugueses são dos que mais trabalham, vão lá para fora e dão cartas, estão a par com os melhores países do mundo”. E colocando o foco do problema em quem governa o país — na política e nos políticos: “Nunca tivemos foi políticos com capacidade de liderança e uma visão para o país.”

Mário Amorim Lopes traça uma linha entre o potencial do país e o que os três maiores partidos estão a fazer para o concretizar. Entende que “o PS acha que está tudo bem e que os problemas que surgem são problemas de conjuntura” e que apenas não reconhece “problemas muito maiores” porque é “grande parte responsável por eles” por ter sido “o partido que mais anos governou em democracia”.

Mais do que isso, ataca um PS que, com António Costa, andou “a empatar durante oito anos”, mas também chega a José Luís Carneiro, desde logo com a “postura” relativamente ao Orçamento do Estado. “O PS deixa passar o Orçamento do Estado se não se fizer nada a nível da Segurança Social, se não se fizer nada a nível da Constituição, no fundo, se não se tocar em rigorosamente nada, eventualmente, o Partido Socialista vai deixar passar o Orçamento do Estado”, afirma, atirando que os socialistas são uma “espécie de naftalina política“, especialista em “empatar os portugueses e o país”.

Já sobre o Chega entende que tem “a visão do Portugal do antigamente, não a visão de Portugal do futuro”. Mário Amorim Lopes não compreende que o partido liderado por Ventura tenha apresentado uma moção de censura porque “queria deitar o Governo abaixo” e acha que “não tem condições para governar” e “logo a seguir diz que está disponível para negociar”. Nas justificações para “empatas”, o líder parlamentar dos liberais recorda que “o Chega empatou na reforma laboral” e realça que a opção apresentada pelo Governo “não era ideal” mas era um “avanço relativamente ao nosso mercado laboral” e, mesmo assim, Ventura preferiu “empatar o país”.

No que toca ao PSD, lembra que Luís Montenegro diz que “tem uma visão”, mas considera que o partido está “perdido em combate“. “Ninguém conhece [essa visão], nunca a comunicou ao país, nunca falou aos portugueses sobre essa visão, nunca nos explicou, afinal, o que é que quer fazer do país”, acusa.

Além disso, Amorim Lopes diz que “o PSD anuncia esta vontade de reformar e não fez rigorosamente nada”, tendo em conta que “já passaram dois anos e o PSD efetivamente está a empatar o país”. “E faz algo ainda mais grave: tenta comprar os votos dos portugueses. Fez uma autêntica rifa eleitoral, no dia da moção de censura, tentando distribuir uns aumentos temporários de pensões, tentando fazer umas reduções marginais de IRS que não vão mexer a agulha, e que, aliás, requerem uma discussão a sério, estruturada, sobre qual deve ser o nosso sistema fiscal”, critica, frisando que “para rifas eleitorais já tínhamos António Costa”.

Perante um cenário de um “leque de partidos que não tem qualquer visão para aquilo que deve ser e aquilo que pode ser Portugal”, o líder parlamentar dos liberais entende ser da “responsabilidade” da IL “partilhar a visão do que é que Portugal pode, deve e mais, Portugal vai ser um dia” — “um país ao nível europeu, com o nível de prosperidade e de riqueza que outros países europeus asseguram aos seus cidadãos, ao nível dos salários, ao nível das pensões, ao nível também da qualidade de vida”.

Para que tal aconteça, explica, é necessário reformar. Aos olhos de Amorim Lopes, “o problema de Portugal, neste momento, é que está irreformável”. “Não ingovernável, mas irreformável“, realça, recordando o chumbo da moção de censura que permitiu ao Governo continuar a trabalhar. E está irreformável, sublinha, “porque em Portugal existe a maioria dos empatas”. Chama-lhes os “empata-nação” e culpa “os partidos que ou estão satisfeitos com o status quo do país ou não percebem que podemos ser muito mais do que aquilo que somos” — por esta razão, conclui, “empatam toda e qualquer reforma”.

E resume: “O PS não reforma, está tudo fantástico ou não fosse tudo obra deles; o Chega não quer reformar porque tem receio de perder algum voto que seja e o PSD diz que é preciso reformar, mas, eventualmente, depois das eleições. Se não forem estas, serão as próximas, e quem sabe, logo se vê.”

É esse “duelo” que a IL pretende combater: o “duelo dos reformistas contra os empatas” — e é aí que considera ter espaço para crescer. Mário Amorim Lopes considera que a IL “tem de ser o partido que fala desta necessidade de reformar o país” e que a ação no Parlamento e fora dele “tem e vai continuar a ser esta ação de puxar e recentrar o país nessa necessidade imperiosa de fazer reformas”.

O líder parlamentar da IL entende que essa opção “requer coragem política” e que “pode ter custos eleitorais no curto prazo”, mas considera que “é a única forma de deixarmos um melhor país aos nossos filhos e aos nossos netos”. E promete que o partido vai apresentar e discutir reformas nas áreas do Estado, da Segurança Social porque “o Governo decidiu colocar na gaveta depois de ter encomendado um estudo ao Grupo de Trabalho”, na área da Fiscalidade, na Justiça, na Saúde e na Inteligência Artificial porque “o Governo poderia e deveria estar a liderar esta discussão e vai a IL fazê-lo”.





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