STF banca até R$ 205 mil para bancar internet casa de ministros”

STF banca até R$ 205 mil para bancar internet casa de ministros”



O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu neste mês um processo de licitação para a contratação de serviços de internet de alta velocidade destinados exclusivamente a 13 pontos de internet nas residências de ministros da Corte, localizadas em bairros nobres de Brasília.

O edital previa um limite de gasto de até R$ 205.508,94 para um contrato com duração de 60 meses (cinco anos). Após a fase de lances e análises técnicas, a Claro NXT Telecomunicações S/A foi declarada a vencedora do Pregão 72/2026, com uma proposta final aceita no valor de R$ 202.722,00.

A infraestrutura contratada com o dinheiro público abrange a instalação de links, prioritariamente de fibra óptica, distribuídos em dois endereços no Lago Norte, três na Asa Sul e oito no Lago Sul.

Alto padrão e suporte VIP na internet dos ministros do STF

O pacote exigido pela Corte estabelece especificações de alto padrão para o mercado residencial. Isso inclui conexão ininterrupta com velocidade mínima, e fornecimento de sistemas de rede sem fio tipo Wi-Fi Mesh de última geração.

Cada casa tem direito a pelo menos três pontos de acesso (roteadores) para garantir a cobertura de sinal em todos os ambientes.

Para justificar o elevado nível de exigência técnica e a necessidade de um “suporte VIP”, que obriga a operadora a manter atendimento 24 horas por dia e a resolver qualquer falha em, no máximo, um dia, o STF utilizou o argumento da “natureza da missão institucional dos senhores Ministros”.

No Termo de Referência da licitação, o Tribunal argumenta que a estabilidade do link e a redundância da rede Mesh são requisitos mandatórios para “assegurar a participação das autoridades em sessões de julgamento e deliberações de urgência sob total segurança e privacidade”.

A preocupação com as moradias das autoridades consta até mesmo nas exigências de sustentabilidade do certame.

 O documento oficial determinou que os modems e roteadores precisavam ter certificação de eficiência energética específica “visando o menor consumo de energia elétrica nas residências dos senhores Ministros”.

O martelo sobre a licitação foi batido na última semana, em 3 de setembro de 2026, após a Claro adequar sua proposta técnica perante o pregoeiro para comprovar que seus equipamentos suportariam as altas taxas de upload e o padrão Wi-Fi exigidos pelo Supremo.

Seguindo o valor de tabela de detalhamento das 13 “instalações-base”, multiplicadas pelos 60 meses de duração do contrato, isto significa um custo mensal autorizado de R$ 3.416 por mês.

Vale lembrar que a Corte, em sua composição oficial, contém 11 ministros. Isso permite à Corte a bancar exatos R$ 311,37 por ministro em internet residencial. Com o “desconto” da Claro em sua oferta final, o custo por ministro cai para R$ 307,15 por ministro.



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