PF encontrou nota com nome de deputados na churrasqueira de Ciro Nogueira
Enquanto cumpria o mandado de busca e apreensão na endereço do senador Ciro Nogueira (PP-PI) em Brasília em maio deste ano, a Polícia Federal encontrou documentos dentro da churrasqueira. Entre eles, uma nota com os dizeres “Câmara”, seguidos de nomes e valores.
Segundo os investigadores, a empregada doméstica do senador disse que ele havia entregado os papéis a ela para que fossem queimados, “supostamente por se tratar de documentos antigos ou sem serventia”, mas que ela ainda não tinha feito isso por falta de tempo.
A nota manuscrita diz “Câmara” e lista os seguintes nomes e números:
- Arthur: 40
- Hugo: 10
- Elmar: 10
- Luizinho: 10
- Adolfo: 10
- Isnaldo: 5
- Diego: 5
- Altineu: 5
- Netinho: 5

Segundo a PF, os nomes correspondem “provavelmente” a Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, Elmar Nascimento (União-BA), Dr. Luizinho (PP-RJ), Adolfo Viana (PSDB-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), “dentre outros passíveis de identificação”.
“Altineu” pode se referir ao presidente do PL no Rio de Janeiro, Altineu Côrtes. Os outros nomes, Diego e Netinho, têm várias correspondências possíveis. Segundo a PF, o documento “carece de esclarecimento” e seguirá para “análise contextualizada pela equipe de investigação”.
Não houve nenhuma outra operação mirando o senador desde então. Em 14 de agosto, decisão mais recente do processo, o relator dos casos envolvendo as fraudes do Banco Master, ministro André Mendonça, atendeu a um pedido da PF e prorrogou o prazo da investigação por mais 60 dias.
De acordo com as investigações, Ciro Nogueira teria recebido milhões em mesadas pagas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de outras vantagens, como viagens e estadias em hotéis de luxo. Em troca, o senador teria colocado o mandato a serviço do Banco Master –entre as atividades suspeitas, a PF citou a apresentação da “emenda Master”, para que a garantia do FGC passasse de 250 mil reais para 1 milhão. O trecho foi rejeitado pelos parlamentares.
O relatório em que aparecem os bens apreendidos na casa de Ciro Nogueira era sigiloso, mas Mendonça tornou este e outros documentos relacionados ao caso Master públicos nesta sexta-feira, 11.

